São Paulo- Nove crianças de um a quatro anos de idade e seis adultos provenientes da África morreram ao tentar alcançar a costa mediterrânea da Espanha, na altura da cidade de Almería, na madrugada de anteontem. A embarcação, com seis metros de comprimento, foi interceptada por uma patrulha espanhola com 33 sobreviventes de um grupo inicial de 48. Uma mulher morreu após o resgate.
Dos que resistiram à travessia, que teria durado entre cinco e sete dias, quatro estão em estado grave, entre eles a única criança a chegar com vida à Espanha, segundo fontes do governo espanhol e da Cruz Vermelha. Os outros três são mulheres, que apresentam sintomas de hipotermia, desidratação e queimaduras causadas pelo sol. Uma estava grávida e abortou no mar.
De acordo com relatos dos sobreviventes, os ocupantes da embarcação provinham de vários países, entre os quais Nigéria, Gâmbia, Quênia, Camarões e Senegal. Eles ficaram à deriva após terem o motor do barco danificado por um temporal em alto mar.
Na última segunda, dia 7, 14 imigrantes clandestinos, supostamente nigerianos, haviam morrido em condições parecidas, na altura de Motril, a pouco mais de cem quilômetros de Almería. Outras 23 foram resgatadas com vida na ocasião. No ano, já chega a 69 o número de imigrantes mortos ao tentarem chegar à Espanha, segundo números oficiais.
O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em visita oficial à Grécia, cobrou dos países países ricos o cumprimento da promessa de destinar 0,7% do PIB para o combate à pobreza. ''Estamos em uma situação alarmante. Ou ajudamos a África a lutar contra a pobreza extrema, ou o nosso Estado de solidariedade, nosso Estado social estará em perigo'', disse.

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