Nova York - Em meio à guerra de palavras da campanha eleitoral, os americanos farão hoje uma homenagem discreta às vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro. Uma alarmante lembrança dos ataques veio à tona na última quinta-feira com a veiculação de um vídeo em que o segundo homem mais importante da rede Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, fazia ameaças aos americanos.
Zawahiri afirmava na gravação que a derrota dos americanos no Iraque e no Afeganistão é apenas uma questão de tempo e que os americanos não estarão seguros enquanto o governo de seu país ''cometer crimes contra muçulmanos no Iraque, no Afeganistão e na Palestina''.
Com a eleição do dia 2 de novembro se aproximando, a gravação gerou comentários de republicanos e democratas sobre a estratégia de segurança nacional adotada pelo presidente George W. Bush. A gravação deixa claro que ''a guerra ao terror não terminou'', comentou Stephanie Cutter, uma porta-voz do candidato democrata à Presidência, John Kerry. ''Eles (os republicanos) desviaram a guerra ao terror para fazer uma guerra no Iraque'', acrescentou.
Por sua vez, Condoleeza Rice, secretária de Segurança Nacional de Bush, afirmou que a política adotada impediu com eficiência as operações da rede terrorista.''A Al-Qaeda não está mais ocupando o Afeganistão'', disse Rice. ''Eles não têm mais território no país, não operam mais com impunidade''. ''Eles estão sendo desafiados em todos os países do mundo, mas continuam sendo uma organização perigosa'', afirmou Rice.
Três anos depois dos atentados de 11 de setembro, o medo do terrorismo continua grande entre os americanos, que acompanharam nos últimos dias o atentado de Jacarta e o massacre numa escola de Beslan, na Rússia.
O terceiro aniversário dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono acontece também poucos dias depois de o número de soldados americanos mortos no Iraque ter ultrapassado a simbólica marca de 1 mil.
Para Bush, o 11 de setembro permanece sendo o momento chave de sua presidência e o início de uma política de segurança nacional. ''Não estamos lutando contra terroristas pelo mundo por orgulho, por poder, mas porque a vida de nossos cidadãos está em jogo. Nossa estratégia é clara'', disse Bush durante a convenção republicana realizada em Nova York.
Enquanto Kerry vem priorizando mais as questões econômicas e de saúde, Bush vem tentando passar a imagem de um líder determinado a manter a segurança dos americanos.
Em campanha na última quinta-feira em Iowa, Kerry afirmou que a Coréia do Norte é ''mais perigosa hoje do que antes'', que o Irã está sendo ''ignorado'' e que o Iraque ''desviou'' recursos da ''verdadeira guerra ao terror no Afeganistão e contra Osama bin Laden.''
Como lembrança dos atentados de 11 de setembro, haverá uma homenagem em Nova York no local onde ficava o World Trade Center. Como nos anos anteriores, os nomes das 2.823 vítimas serão lidos por parentes.
A leitura será interrompida em quatro ocasiões: duas vezes para marcar o momento da colisão dos aviões e duas vezes para lembrar o momento em que os prédios desabaram. À noite, dois poderosos holofotes vão iluminar o céu e simbolizar a presença das torres.
Em Washington, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, colocará uma coroa de flores no cemitério de Arlington em homenagem às 184 pessoas que morreram quando um dos aviões caiu sobre o Pentágono.

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