NAIRÓBI, Quênia - Uma extensa coluna de mais de 100 mil refugiados hutus se dirigia ontem para a cidade zairense de Kisangani, a principal do leste do Zaire, aparentemente em busca de socorro.
De acordo com testemunhas, entre os hutus - muitos dos quais em péssimo estado de saúde - estavam os radicais que fugiram dos campos de refugiados em novembro, diante do avanço dos rebeldes tutsis banyamulengues que vêm lançando ofensivas na região. Com a fuga dos radicais, centenas de milhares de exilados que eles mantinham praticamente como prisioneiros iniciaram uma marcha de retorno maciço a Ruanda.
Nos arredores de Goma, cidade do leste do Zaire controlada pelos rebeldes, testemunhas afirmaram ter encontrado valas comuns com dezenas de cadáveres de refugiados hutus. De acordo com várias denúncias, os hutus foram massacrados pelos rebeldes durante a ofensiva do mês passado. As valas estavam em locais onde os tutsis não permitiam a entrada dos trabalhadores das agências de ajuda. O chefe de segurança das forças rebeldes, Paul Kabongo, negou, porém, as acusações de que os guerrilheiros tivessem cometido violações aos direitos humanos nas regiões que controlam.

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