Gaza - O exército israelense recomendou a 100 mil habitantes do norte da Faixa de Gaza, cenário de uma ofensiva israelense que deixou mais de 200 mortos, que abandonem suas casas "para sua própria segurança". A medida afeta os habitantes de Zeitun, Shujaiya e Beit Lahiya. Eles receberam ligações telefônicas, mensagens SMS e panfletos, segundo um comunicado do exército.
"Para sua própria segurança, solicitamos que abandonem suas residência imediatamente e compareçam a Gaza antes das 8 horas (2 horas de Brasília)", afirmam os panfletos. "Apesar do cessar-fogo, o Hamas e outras organizações terroristas continuaram lançando foguetes, muitos deles procedentes destas três zonas", explicam ainda as mensagens do exército, que garante "não quer fazer dano" aos habitantes destas cidades. Mais de 1,2 milhão de pessoas vivem nos 360 km² da Faixa de Gaza, que tem uma das maiores densidades do planeta e uma taxa de pobreza de 39% da população. Além disso, as suas fronteiras marítimas e terrestres - com Israel e Egito - estão bloqueadas.
No dia seguinte ao fracasso do cessar-fogo proposto pelo Egito, as forças armadas israelenses intensificaram os bombardeios contra o enclave palestino, a fim de fazer parar os disparos de foguetes contra Israel.
Dezesseis palestinos morreram ontem em uma série de ataques israelenses no sul da Faixa de Gaza, incluindo quatro crianças. Vários bombardeios destruíram uma tenda em uma praia onde estava um grupo de crianças, a 200 metros de um hotel da cidade de Gaza. Além disso, quatro membros de uma mesma família, entre eles um menino de 10 anos e uma senhora de 65, estão entre as vítimas.
O exército realizou 40 ataques aéreos durante a noite, principalmente contra as residências de quatro líderes do movimento palestino Hamas. Os bombardeios já deixaram 212 mortos e mais de 1,5 mil feridos, em sua maioria civis.

Acordo
O Hamas pediu à população de Gaza que não abandone seus lares. "É uma forma de guerra psicológica para atingir a frente palestina", afirmou o movimento.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou na terça-feira que não tinha outra "escolha a não ser expandir e intensificar" sua campanha militar, após a rejeição do Hamas da trégua proposta pelo Egito.
O Hamas rejeita qualquer trégua que não inclua um acordo completo sobre o conflito com Israel: fim dos bombardeios, fim ao bloqueio a Gaza e a libertação de prisioneiros palestinos. Enquanto isso, o Estado judeu anunciou ontem que mil foguetes caíram em seu território em nove dias e 225 outros foram destruídos pelo sistema de defesa "Iron Dome". Quatro foram destruídos ontem em Tel Aviv, capital econômica de Israel. Na terça-feira houve a morte de um primeiro israelense, um civil de 37 anos que foi atingido por um foguete.
Ontem, o exército israelense anunciou que irá interromper por cinco horas os bombardeios à Faixa de Gaza hoje, abrindo uma "janela humanitária" para permitir que os habitantes se abasteçam.

Imagem ilustrativa da imagem 100 mil palestinos podem deixar suas casas
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