Eleição colombiana faz 11 mortos
Reuter
Marcelo Salina/France PresseO candidato Horário Serpa com sua vice Maria Emma Mejia: 6 pontos atrás de Andrés PastranaA jornada eleitoral na Colômbia deixou ontem 11 mortos e 25 sequestrados, sendo 19 funcionários eleitorais, segundo as autoridades. Minutos antes do início das eleições, três civis morreram no povoado de Barrancabermeja, ao explodir uma bomba colocada no caminho de um blindado do Exército. As demais vítimas morreram em combates entre rebeldes e militares, que deixaram cinco soldados e três guerrilheiros mortos, segundo um balanço provisório entregue pelas autoridades militares.
Neste clima e enfrentando uma forte chuva, os colombianos foram às urnas ontem para escolher o sucessor do presidente Ernesto Samper, no primeiro turno das eleições. Em algumas regiões da zona rural, rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) e do Exército Nacional de Libertação (ENL) tentaram criar o caos para impedir que os eleitores votassem.
Em cidades dos departamentos centrais de Cundinamarca e Meta, os rebeldes bloquearam estradas para evitar que os veículos com eleitores passassem. Em Antioquia e Córdoba, no noroeste do país, os guerrilheiros, cumprindo as ameaças de ataques durante as eleições, realizaram ações violentas contra a população.
Segundo a polícia, dois civis morreram e um outro ficou ferido pela explosão de uma bomba no porto petrolífero de Barrancabermeja, a 220 quilômetros ao noroeste de Bogotá, momentos antes da abertura das urnas. Mas, apesar dos atos de violência, analistas e autoridades acreditam que neste turno não será repetida a alta abstenção que caracterizou as eleições passadas.
Os três candidatos com chances de vencer - nenhum no primeiro turno, segundo as pesquisas de boca de urna - fazem promessas idênticas para a solução dos principais problemas do país: negociar a paz com a guerrilha, que domina 40% do território, combater o narcotráfico, que se infiltrou nas instituições e nos setores produtivos, e debelar o desemprego, que atinge 14,5%.
O conservador Andrés Pastrana está na frente nas pesquisas. Entretanto, o candidato sofre também de importante rejeição. Foi Pastrana quem obteve as fitas que indicavam a doação de US$ 6 milhões do cartel de Cali para a campanha de Samper. O escândalo comprometeu a imagem da Colômbia no exterior e causou um estremecimento nas relações com os Estados Unidos, seu parceiro mais importante.
Pastrana, cuja candidatura se apóia numa frente ampla, tem de seis a nove pontos de vantagem (dependendo da pesquisa) sobre o segundo colocado, Horacio Serpa, do Partido Liberal. Em terceiro, mas em plena ascensão, está a candidata independente Noemí Sanín. Uma virada é possível e, segundo uma das pesquisas. Se Noemí passar para o segundo turno, no dia 21, bate qualquer um dos dois.
A guerra civil e o crime organizado matam 40 mil colombianos por ano. Quatro candidatos à presidência na eleição de 1994 foram assassinados. Nas eleições departamentais e municipais de outubro, dois observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) foram mantidos reféns durante oito dias pelo Exército de Libertação Nacional, em Medellín. A OEA não vai monitorar essa eleição presidencial, embora seu secretário-geral seja o colombiano César Gaviria.





