O líder político do movimento de resistência islâmica Hamas, alvo de um fracassado atentado perpetrado pelo serviço secreto israelense Mossad, o xeque Khaled Mashaal, recebeu alta ontem do hospital onde se recuperava em Amã, capital da Jordânia. Mashaal confirmou ter recebido uma injeção de veneno de agentes do Mossad que se aproximaram dele no dia 25, em Amã, e afirmou estar ‘‘mais disposto do que nunca’’ a levar adiante a luta armada contra Israel até a ‘‘libertação total do povo palestino’’. Com vários atentados suicidas contra alvos israelenses, o Hamas combate ferozmente as negociações de paz entre a Organização de Libertação da Palestina (OLP) e o Estado judeu.
Mashaal declarou também que o Hamas acabou ‘‘lucrando’’ com o atentado em Amã, pois a ação dos agentes israelenses ‘‘destruiu a lendária imagem de infalibilidade do Mossad’’. Dois supostos espiões israelenses envolvidos no atentado contra o xeque, identificados como Shawn Kendall e Barry Beads, foram capturados pela polícia jordaniana logo depois do ataque. Eles portavam passaportes canadenses falsificados.
O governo israelense evita comentar o ataque contra o xeque Mashaal, mas não desmente o envolvimento do Mossad no atentado. O desastre da operação, porém, acabou desencadeando a libertação de outro líder do Hamas - o xeque Ahmed Yassin, preso por Israel desde 1989 -, aparentemente para aplacar a ira do rei Hussein da Jordânia, irritado com o fato de os agentes terem atacado no território jordaniano. O uso de falsos passaporte canadenses também abriu uma crise nas relações diplomáticas entre Israel e o governo de Ottawa, que na quinta-feira chamou para consultas seu embaixador em Jerusalém.

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