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quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Reuter Roma 
A Refundação Comunista (RC) manteve ontem seu veto ao austero orçamento de 1998 - fundamental para o ingresso do país no sistema monetário europeu -, pondo em xeque o governo do primeiro-ministro Romano Prodi. Sem o apoio da Refundação, a frente Oliveira (de centro-esquerda) perde maioria no Parlamento. A frente dispõe de 321 cadeiras no plenário - 34 das quais são da RC - que lhe dão uma escassa maioria de 6 votos.
Se não conseguirmos um entendimento, a saída será a convocação de eleições gerais antecipadas, ameaçou Prodi depois de uma reunião com o presidente Oscar Luigi Scalfaro, que atua como mediador da crise.
O presidente pediu a Prodi e seu gabinete que se entendam com os comunistas objetivando encontrar uma saída para a crise. Não tememos eleições, reagiu Fausto Bertinotti, líder da RC. Mas estaremos sempre abertos ao diálogo, ressaltou. Contudo, esse orçamento é inaceitável. Segundo o jornal LUnita (antigo órgão oficial do ex-PCI), os comunistas da Refundação, com essa iniciativa, estão mais empenhados em reconquistar a liderança das esquerdas do que em aplcar os drásticos efeitos sociais das medidas de austeridade econômica previstas. Eles (os comunistas) obedecem a uma estratégia da velha eminência parda do ex-PCI, Armando Cossuta, acrescenta o diário, para concluir: Cossuta é o verdadeiro mentor da operação crise.
O projeto de lei orçamentária do governo prevê um corte de despesas equivalente a US$ 14 bilhões (US$ 5 bilhões dos quais referentes a programas da área social), para ajustar o déficit público às exigências do Tratado de Maastricht (que instituiu a moeda única - euro): no máximo 3% do Produto Interno Bruto (PIB), de cada país signatário.


