France PresseO rei Hussein da Jordânia foi um dos primeiros a visitar o xeque Ahmed YassinO líder da Organização de Libertação da Palestina (OLP) e presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, viajou ontem para a Jordânia onde visitou num hospital - junto com o rei Hussein - o líder espiritual e fundador do movimento radical islâmico Hamas, xeque Ahmed Yassin. O religioso, de 61 anos, tetraplégico, foi libertado na véspera pelo governo de Israel, onde cumpria uma sentença de prisão perpétua desde 1989.
Após a visita, Hussein negou categoricamente ter assumido o compromisso de libertar dois espiões israelenses presos na semana passada em Amã em troca da libertação do xeque. Porém, as versões sobre o suposto acordo secreto de troca de prisioneiros continuavam a circular ontem.
‘‘Não houve nenhum acordo; um acordo pressupõe a troca disso por aquilo e isso não ocorreu’’, afirmou o rei a jornalistas. ‘‘Acredito que a libertação deva ser atribuída a um gesto humanitário do governo israelense.’’
Depois do encontro com Arafat e Hussein, o xeque Yassin afirmou que pretende retornar a Gaza e manifestou apoio às ações terroristas perpetradas por militantes do Hamas contra Israel. ‘‘Tenho a esperança de que meu filho ainda se torne um mártir da luta pela libertação dos palestinos’’, disse. ‘‘Eu também ainda espero morrer como um mártir.’’
O Hamas é um dos mais implacáveis adversários das negociações de paz entre a AP e o governo israelense. O xeque Yassin disse, depois de receber a visita de Arafat, ‘‘lamentar profundamente’’ a decisão da AP de fechar 16 associações beneficentes de Gaza sob a suspeita de que elas tinham vínculos com o Hamas. ‘‘Nem mesmo Israel teve a ousadia de fechar essas organizações’’, declarou.
Yassin afirmou também que, pouco antes de ser libertado, oficiais do Exército israelense tentaram convencê-lo a ordenar aos militantes do Hamas para que parassem com os atentados suicidas. ‘‘Eles acreditam que os ataques causaram a derrota eleitoral de Shimon Peres (ex-primeiro-ministro) e poderiam causar a queda do governo de Benjamin Netanyahu’’, explicou o xeque. ‘‘Disse a eles que, para nós, não importa quem governa em Israel, mas sim lutar por uma vida decente e digna.’’
Havia anos, Arafat vinha exigindo de Israel a libertação de Yassin. Depois de ter sido surpreendido pela decisão israelense de soltar o xeque, o líder palestino criticou Netanyahu por ter ‘‘deportado’’ o religioso do país para a Jordânia. Um comandante militar israelense declarou à Rádio Israel que Yassin não teve o seu retorno a Gaza proibido pelas autoridades do país.

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