PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Reuter Londres 
O mais radical grupo guerrilheiro islâmico argelino saudou os últimos massacres no país norte-africano como um trabalho de Deus e rejeitou todas as conversações sobre um cessar-fogo num comunicado distribuído ontem. O grupo também prometeu se vingar da França por sua ajuda ao regime da Argélia dominado pelos militares.
Um comunicado em nome do Grupo Islâmico Armado (GIA), enviado por fax ao diário em língua árabe al-Hayat em Londres e Paris, declarou: Somos aquele bando que, com a permissão de Deus, matou e degolou e continuaremos agindo assim até que a palavra da religião tenha prevalecido e a palavra de Deus tenha sido elevada.
Deixem todos saberem que o que fazemos matando, degolando, queimando e pilhando está próximo de Deus...Informamos a vocês de acordo com nossa fé e nossos meios: não ao diálogo, não à trégua e não à reconciliação, afirma-se no comunicado.
A autenticidade do comunicado não pôde ser verificada independentemente.
Moradores dizem que mais de 200 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas no último massacre no subúrbio de Baraki, da capital Argel, na noite de segunda-feira.
As autoridades argelinas afirmam que 85 pessoas morreram e responsabilizam terroristas muçulmanos, mas o fracasso das forças de segurança em intervir durante as quatro horas de carnificina levantou questões sobre a identidade dos executores.
O principal grupo guerrilheiro muçulmano lutando contra o governo argelino dominado pelos militares, o Exército Islâmico de Salvação (EIS), pediu por um cessar-fogo na quarta-feira e anunciou que queria expor e combater extremistas que estavam massacrando civis inocentes.
O comunicado afirmou que as degolas, pilhagem e rapto de mulheres eram apenas uma punição para os inimigos da religião e têm a bênção de Deus.
Pelo menos 60 mil pessoas já morreram numa guerra civil que explodiu depois que o exército interveio em 1992 para cancelar uma eleição geral na qual a Frente Islâmica de Salvação (FIS) havia assumido uma grande dianteira no primeiro turno.


