PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Marcin Grajewski Reuter Varsóvia 
A Ação Eleitoral de Solidariedade (AWS), que derrotou os governistas ex-comunistas da Polônia nas eleições gerais deste fim de semana, anunciou ontem que irá dar início hoje a negociações com partidos menores sobre a formação de uma coalizão.
Marian Krzaklewski, líder do bloco da AWS de cerca de 40 pequenos partidos direitistas formados a partir da central sindical Solidariedade, afirmou que conversações exploratórias devem começar hoje, seguidas por encontros entre os líderes dos partidos.
Ele deixou claro que queria conversar apenas com dois partidos que, como o Solidariedade, têm raízes na antiga oposição anticomunista.
Os dois partidos selecionados para conversações são o centrista liberal União da Liberdade (UW), que terminou num consistente terceiro lugar com cerca de 14% da votação de domingo, e o direitista Movimento para a Reconstrução da Polônia (ROP), que obteve apenas 5%.
Segundo resultados preliminares, a única coalizão governamental viável seria entre a aliança Solidariedade, que abocanhou 34% dos votos, e a União da Liberdade.
A UW, vista como o mais pró-reformas dos grupos que formavam o movimento Solidariedade, já rejeitou uma aproximação da ex-comunista Aliança Democrática de Esquerda (SLD), que ficou com 27% dos votos.
A expectativa generalizada é de que as conversações entre a AWS e a União da Liberdade serão difíceis porque, apesar de terem raízes históricas comuns, suas visões sobre economia e valores são diferentes. A UW defende a aceleração das privatizações, liberalização do comércio exterior e política monetária apertada, enquanto que a AWS busca primariamente o estímulo às empresas domésticas. A UW tem posições secularistas enquanto a AWS defende os tradicionais valores familiares católicos.
Mas o ex-chefe de Estado Lech Walesa, o líder histórico do Solidariedade, prometeu mediar entre os dois grupos e convidar seus líderes para um encontro.


