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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Reuter 
Pequim
France PressVotaçãoLíderes chineses participam da votação de encerramento do CongressoO 15º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) terminou ontem em Pequim, depois de uma semana, com clara vitória do presidente chinês, Jiang Zemin, ao receber apoio unâmine dos 2.048 delegados do partido a seus planos de reformas econômicas e à retirada do poder de dois de seus maiores rivais, consolidando seu status de herdeiro do líder supremo chinês, Deng Xiaoping.
Os delegados aprovaram o documento político apresentado por Jiang na abertura do congresso, dia 12, que consiste numa declaração pragmática determinada a dar continuidade ao socialismo com características chinesas proclamado por Deng, falecido em fevereiro. Foi aprovada também emenda do estatuto do PCC introduzindo como dogma o pensamento do pequeno timoneiro, como era chamado Deng, junto com o de Mao Tsé-tung, Lenin e Marx. O papel crucial nas teorias de Deng ao processo de reforma econômica e abertura para o Exterior, iniciadas há 20 anos, salvou o país do colapso depois de dez anos de Revolução Cultural e transformou a China na nação do mundo com o mais acelerado crescimento econômico.
Mas a notícia que dominou o encerramento do último congresso deste século (a cúpula do país reúne-se a cada cinco anos) foi o afastamento do Comitê Central de dois dos maiores rivais de Jiang: o veterano Qiao Shi, de 72 anos, líder do Parlamento chinês e número 3 na hierarquia do poder, e do general Liu Huaqing, de 81 anos, vice-presidente da Comissão Militar. Segundo analistas políticos, Qiao era considerado o político capaz de ameaçar o poder de Jiang. O afastamento dos dois confirmou rumores de alguns dos delegados de que estes estariam muito velhos para governar, eufemismo usado para descrever membros do partido que não contam mais com apoio.
Voto secreto O Comitê Central foi eleito ontem pela manhã, pela primeira vez com voto secreto, e ampliou o número de membros de 319 para 344, dos quais 193 são permanentes e 151 suplentes. Dos 193 membros permanentes, 83 foram recém-eleitos, comprovando as propostas de Jiang de promover um rejuvenescimento na estrutura do partido.
A proposta de Jiang de pôr em prática formas alternativas de propriedade no setor estatal da economia, ou privatização, embora tenha sido recebida com certa expectativa por representantes de algumas províncias, especialmente nas que prevalecem estruturas produtivas do tipo soviético, foi aprovada pelo congresso. Segundo análises do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, durante sua reunião anual, a China tem capacidade de torna-se uma nova potência mundial no século 21 se forem postas em práticas as reformas econômicas de Jiang.
Durante seu discurso de encerramento do congresso, Jiang pediu a unidade do PCC. Não podemos permitir que os corruptos se escondam nas fileiras do partido; a força tem de ser conquistada de dentro para fora.


