Violentos distúrbios ocorreram ontem entre policiais e manifestantes na capital chilena ao fim de uma marcha ao túmulo do presidente socialista Salvador Allende, que se suicidou no dia 11 de setembro de 1973, após o golpe liderado pelo general Augusto Pinochet.
Para os simpatizantes do militar, a comemoração do 24º aniversário do golpe que derrubou Allende teve um significado diferente dos outros anos, já que esta foi a última em que Pinochet ainda comanda o Exército. Após 17 anos de ditadura, Pinochet, de 81 anos, conservou o comando militar quando a democracia foi restaurada, em 1990.
A data demonstrou as profundas divisões deixadas pelo regime militar na sociedade chilena, com homenagens a Pinochet - que se retira no próximo ano da chefia do Exército - e tributos solenes pelas vítimas da ditadura.
Pelo menos 5.000 pessoas participaram da tradicional marcha de 11 de setembro até um cemitério, organizada por grupos de direitos humanos em memória de Allende e das vítimas da administração Pinochet.
Os manifestantes contra a ditadura atravessavam a cidade calmamente. Ao chegar ao cemitério, no entanto, iniciou-se uma batalha campal com a polícia. A polícia lançou gás lacrimogêneo e jatos d’água para responder às pedras jogadas por manifestantes
Cerca de 300 simpatizantes reuniram-se na frente da casa do ex-ditador, onde foram recebidos por bandas militares que lhe rendiam homenagem. Em determinado momento, os manifestantes cantaram a canção predileta do general: ‘‘El rey’’.

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