O 15º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) começará hoje reconhecendo a necessidade de se introduzir no país reformas econômicas e políticas, mas excluindo categoricamente todo e qualquer modelo ocidental de democracia. ‘‘A China nunca copiará o sistema democrático Ocidental’’, declarou o porta-voz do PCC, Xu Guangchun, em entrevista à imprensa no Grande Palácio do Povo, em Pequim - já preparado para o decisivo congresso.
‘‘Os fatos têm demonstrado que a democracia Ocidental não é nenhuma panacéia, os sérios problemas de corrupção que acontecem nos países ocidentais são a melhor prova disso: a China não copiará os sistemas políticos ocidentais’’, afirmou Xu, que também é diretor-adjunto do Departamento de Propaganda do partido.
Xu declarou que não haverá mudanças na política chinesa sobre Taiwan - para a China essa não é uma questão política, mas de soberania e integridade nacional -, em clara resposta ao presidente de Taiwan (para a China, uma ‘‘província renegada), Lee Teng-hui, que pediu na quarta-feira o reconhecimento da identidade política de seu país.
O congresso deverá tratar da política que conduzirá a China ao próximo século e examinará projetos de reformas que possibilitem incrementar a vida do gigantesco e improdutivo setor estatal industrial, disse Xu.
As reformas nas estatais devem incluir fusões, quebras e polêmicos planos de emissão de ações - especula-se que pelo menos 10 mil estatais experimentarão esse sistema. Os adversários à essas reformas, partidários da planificação centralizada, têm criticado duramente a venda de ações. Mas, segundo declarações do porta-voz do PCC, o sistema fortaleceria as estatais, negando que a venda de ações equivaleria a uma privatização. ‘‘O segredo está em quem controla a maior parte das ações’’, disse Xu.
O secretário-geral do partido e atual presidente chinês, Jiang Zemin, deverá utilizar o congresso para consolidar seu poder. Essa é a primeira vez que Jiang presidirá um congresso do PCC sem a presença de seu mentor, Deng Xiaoping, supremo líder da nação, morto em fevereiro.
Segundo Xu, o congresso irá revalidar as teorias revolucionárias de Deng. ‘‘Será mantido o grande valor das teorias de Deng Xiaoping de construir um socialismo com características chinesas’’, declarou Xu.
Um socialismo com características chinesas foi a frase usada por Deng para justificar conceitos não marxistas como o livre comércio, empresa privada e bolsa de valores.
Durante sete dias, haverá nomeações e ‘‘demissões’’ no Comitê Central e será formado um novo Politburo.

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