Associated Press
Com a saída ontem dos últimos soldados e policiais sérvios da Província de Kosovo, num total de 40 mil tropas, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) declarou oficialmente o fim da campanha de bombardeios contra a Iugoslávia (formada pelas repúblicas da Sérvia e Montenegro).
Os ataques haviam sido suspensos no dia 10, quando o acordo de paz foi assinado. O último contingente sérvio deixou a província por volta do meio-dia e a ONU hasteou, logo depois, sua bandeira no quartel-general de Pristina, a capital, como símbolo de que se prepara para a tarefa de reconstrução.
Ao mesmo tempo que as últimas tropas sérvias partiam, o assessor de segurança do presidente americano, Bill Clinton, Sandy Berger, anunciava em Colônia, na Alemanha, que o grupo guerrilheiro Exército de Libertação de Kosovo (ELK) concordou em entregar todas as suas armas pesadas dentro de 30 dias.
O acordo está sendo analisado pelo comitê militar da Otan. Os rebeldes terão de deixar de usar uniformes e portar armas nas cidades e outros locais delimitados e serão obrigados a aceitar a autoridade da força internacional de paz, a Kfor. Somente vão ser permitidas armas leves. Um porta-voz do ‘‘governo provisório’’ do ELK na Albânia, Jaqup Krasniqi, disse que o grupo ‘‘deve converter-se no Exército e na polícia de Kosovo’’.
Não ficou clara, porém, a data final exata para o desarme, uma vez que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também em Colônia para a cúpula do G-8 (sete países mais ricos do mundo e a Rússia), disse que foi estipulado prazo de 90 dias para a entrega das armas.
Ontem, continuaram a ocorrer incidentes violentos, como o saque e a queima de casas de sérvios, sobretudo no sul, onde foram incendiados nos últimos dias vários mosteiros e igrejas. Um atentado a bomba danificou na Universidade de Pristina a estátua do poeta sérvio Vuk Karadjic, que, no século 19, esboçou o moderno alfabeto sérvio. Em Prizren, albaneses étnicos destruíram a estátua do rei sérvio Dusan.
Cerca de 100 mil albaneses étnicos refugiados na Albânia e na Macedônia - mais de 10% do total de 900 mil nos dois países - já regressaram a suas casas, apesar de a Kfor advertir para o perigo dos terrenos minados. A fuga dos sérvios de Kosovo continua intensa, principalmente em direção a cidades da Sérvia.
Cerca de 50 mil kosovares dessa etnia - um quarto do total na província - deixaram a região com destino à Sérvia e Macedônia, com medo de ataques do ELK e de civis albaneses étnicos. Mas também se inicia um fluxo no sentido contrário: sérvios kosovares que se abrigaram em Belgrado, Nis, Krusevac e Kragujevac estão retornando a Kosovo em comboios acompanhados por ministros iugoslavos.
O presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, tenta esconder da população o problema dos refugiados sérvios, dificultando o acesso deles a Belgrado e estimulando-os a voltar para Kosovo, por temer manifestações de protesto. O governo receia que esse êxodo seja interpretado pela população como um sinal da derrota do país na guerra, o que poderia precipitar sua queda do poder.
A ONU inaugurou ontem sua sede em Pristina, que será chefiada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello, responsável pela Subsecretaria de Assuntos Humanitários da ONU. Mello advertiu que mudará as leis e os administradores que julgar conveniente para impulsionar a ‘‘construção de instituições democráticas em uma sociedade pluralista e multiétnica’’.
O comandante das forças da Otan em Kosovo, general britânico Michael Jackson, informou ontem que o aeroporto de Pristina, atualmente em poder de um contingente russo, ficará fechado por pelo menos oito dias, até que a aliança atlântica e o governo da Rússia ‘‘troquem documentos de alto nível’’.
Em Belgrado, o ex-vice-primeiro-ministro Vuk Draskovic conclamou o governo a restabelecer relações diplomáticas com os países integrantes da forças de paz em Kosovo ‘‘porque suas tropas estão ajudando a proteger os sérvios kosovares’’, informou a agência iugoslava Beta.Último contingente de soldados e policiais sérvios deixou Kosovo ontem; ONU hasteia sua bandeira no quartel-general de Pristina, a capital
France PresseEm retirada Soldado iugoslavo caminha a frente do último contingente sérvio a deixar Kosovo: escolta das Forças de Paz. Enquanto isso, incidentes violentos continuam em todo o país. Em Prizren, albaneses étnicos destruíram a estátua do rei sérvio Dusan

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