O caso Ocalan - o líder guerrilheiro curdo em ‘‘liberdade limitada’’ na capital italiana - ameaça provocar atritos entre Itália e Alemanha. Procurado pela Justiça alemã por assassinatos cometidos na década de 80, Roma espera que Bonn peça a extradição do curdo para livrar-se, dessa forma, da difícil situação que enfrenta com a Turquia.
‘‘Estamos esperando que a Alemanha decida pedir a extradição’’, disse ontem o primeiro-ministro italiano, Massimo D’Alema, referindo-se à ordem de prisão internacional contra Abdullah Ocalan, expedida há anos por Bonn.
Mas o governo do chanceler social-democrata, Gerhard Schroeder, reluta. A Alemanha ocupa o primeiro lugar na lista de parceiros europeus da Turquia. A Itália é o segundo.
Ancara também exige a extradição de Abullah Ocalan, que responsabiliza pela morte de 30 mil pessoas durante os 14 anos de conflito no chamado Curdistão turco. Mas Roma nega-se, alegando impedimentos constitucionais. A legislação italiana proíbe a entrega de suspeitos de delitos a países onde exista pena de morte (caso da Turquia).
O governo turco reiterou ontem a ameaça de retaliação econômica contra os italianos. O ministro turco da Defesa, Ismet Sezgin, disse que as empresas italianas serão excluídas das licitações para compra de armamento. Seu colega italiano, Carlo Scognamiglio, reagiu ressaltando que esse tido de retaliação ‘‘afasta a Turquia da Europa’’.
D’Alema acrescentou que se a Turquia pretende ingressar na União Européia deve resolver pacificamente o problema curdo e respeitar os direitos humanos.
Ele negou categoricamente que seu governo esteja pensando em ‘‘despachar’’ Ocalan para o Sudão ou Líbia. ‘‘Somos capazes de segurar até batatas quentes.’’
De seu apartamento na capital italiana (em local secreto), Ocalan disse ter escrito uma carta ao Vaticano pedindo a mediação do papa para resolver o conflito entre turcos e curdos.

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