Da Redação e
Agência O Globo
Não só os trabalhadores talentosos podem ser dar bem com a alta tecnologia. No Brasil, empresas e serviços também apostam cada vez mais na filosofia hightech. Estagnação é vocábulo que não existe em seus dicionários.
O mercado de provedores de acesso à Internet é um bom exemplo desta prática: está usando uma nova arma para driblar a concorrência das conexões rapidíssimas da era do cable-modem, que usa a infra-estrutura das TVs via cabo. A tecnologia das redes wireless, que em bom português significa sem fio, começa a ser difundida no Brasil para o fornecimento de acesso à Internet ao usuário final e ao mercado corporativo. As velocidades podem chegar a 10Mbps (megabits por segundo). Mas o acesso é sempre compartilhado. O provedor instala uma antena e se comunica com seus clientes por ondas de rádio.
Na casa do usuário, é preciso ter uma antena receptora e um decodificador para que o computador entenda os códigos que estão chegando por ondas de rádio. Além do aumento de velocidade, que no caso fica em torno de 3Mbps, o usuário tem outras vantagens: acesso ilimitado e a linha telefônica fica totalmente desimpedida, enquanto ele estiver conectado, como acontece nas conexões feitas por cable-modem.
A antena que fica instalada na casa do usuário é semelhante à usada por empresas de TV por assinatura. Pablo Brenner, diretor para a América Latina da empresa israelense BreezeCOM - que está no mercado brasileiro há cerca de seis meses - comenta que o mais comum é a instalação dessa antena e do decodificador no condomínio.
‘‘A antena, que custa cerca de R$ 1 mil, é instalada no prédio, onde há também um único decodificador, que se conecta a uma rede local’’, explica o diretor. ‘‘Então, cada morador deve instalar em seu micro uma placa de rede. O custo do equipamento acaba sendo diluído.’’
Há muitas vantagens também para os provedores. É claro que há um significativo investimento de capital para a compra de equipamentos, instalação das antenas, etc. Mas uma vez instalada toda a parafernália, o acesso pode ser oferecido imediatamente sem precisar pedir permissão à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os equipamentos usados por provedores vão operar na faixa de frequência de 2,4GHz, também conhecida como Spread Spectrum de Sequência Direta ou espectro espalhado. Depois de instalar os equipamentos e configurá-los, o fornecimento do acesso é imediato.
A NetDados, empresa prestadora de serviços Internet em Aracaju (SE), investiu R$ 1,5 milhão para pôr no ar o acesso à Rede com tecnologia wireless. Cliente da BreezeCOM, a NetDados instalou uma antena de 70 metros, com capacidade para cobrir toda a área metropolitana de Aracaju. Em menos de um mês, o provedor instalou receptores em 15 edifícios residenciais atingindo 500 usuários. Até o fim do ano, a NetDados pretende oferecer o acesso em 200 prédios.
Em São Paulo, o provedor Opus, que está há dois anos e meio no mercado mais voltado para a área corporativa, já tem torres na região da Avenida Paulista e do Morumbi. Reginaldo Araújo, gerente de Tecnologia da Opus, diz que as antenas já instaladas darão cobertura a usuários localizados numa distância de até um quilômetro. Com equipamentos da BreezeCOM e da Lucent, a empresa vai prestar acesso ilimitado a usuários domésticos por R$ 35,00 mensais. Além de dividir o custo do equipamento (cerca de US$ 450) em quatro parcelas.
No Rio, a PSINet, que comprou o Openlink e anunciou na Comdex a aquisição do Domain, estará oferecendo acesso wireless até o fim do ano. O sistema da PSINet é o InterSky, lançado nos EUA no primeiro semestre deste ano e baseado em tecnologia Cisco.

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