B.Piropo - Agência O Globo,
Do Rio
No começo era o caos. As primeiras versões de Windows eram como fantasmas: a maioria de nós nunca viu e, até hoje, só sabe por ter ouvido falar. Então Bill Gates disse: faça-se a luz. E foi feito o Windows 3.0. Daí em diante, o mundo inteiro tremeu a cada nova versão de Windows. Inclusive da
edição 95, cujo lançamento mundial foi mais badalado do que o aniversário da Sasha. Sendo assim, enquanto não sai o Windows 2000, diga depressa: qual foi a última versão de Windows lançada pela Microsoft?
Se sua resposta não foi ‘‘Windows 98 SE’’, errou feio. Porque em 10 de julho passado - no Brasil alguns dias depois, para coincidir com a Fenasoft, que começou no dia 19, em São Paulo - a Microsoft deu à luz mais uma versão de Windows. E o fez quase à socapa, com tão pouco alarde que pensei que ‘‘SE’’ vinha de ‘‘Sub-repticiamente Entregue’’ e não de ‘‘Segunda Edição’’, o nome oficial que a MS forjou para ela, deixando claro que não se trata de simples atualização. Se assim é, por que lançá-la tão sorrateiramente? E em que ela difere da anterior?
Respondendo primeiro a última pergunta: as diferenças são poucas. A mais importante é o compartilhamento de uma única conexão com a Internet, o que até agora somente era possível usando programas de terceiros. Com o Windows 98 SE e um único modem, diversos micros em rede podem acessar simultaneamente sítios diferentes da Internet. É claro que quanto mais máquinas, mais lenta a conexão. Mas para uma rede doméstica de dois ou três micros, é um grande negócio.
Além desta, a única novidade é o NetMeeting 3, um aplicativo para vídeo e áudio-conferência que permite manter conversações ao vivo através da Internet - o que, com as conexões lentas que temos por aqui, não é um negócio muito animador. Além, é claro, da incorporação definitiva do já velho Internet Explorer 5 ao sistema operacional (Windows 95 ainda vinha com o IE4). O resto é o de costume: correção de bugs e suporte ao hardware que a indústria desovou no último ano - desta vez, as novas instruções do Pentium III, ‘‘firewire’’ (o nome pelo qual é conhecido o padrão IEEE 1394), conexões de alta taxa de transmissão tipo ADSL e similares e aperfeiçoamento do suporte ao USB (para mais detalhes, acesse o endereço www.microsoft.com/brasil/windows98/guia.stm). Nada que merecesse o status de ‘‘nova versão’’. Uma atualização cai melhor. Ou, no máximo, uma versão intermediária, como o OSR2 de Windows 95.
Um fato que talvez justifique o lançamento silencioso. Mesmo porque, se fizesse muito barulho, a MS acabaria por esvaziar a festa do esperado Windows 2000.

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