Nas ruas a desconfiança é tida como o principal motivo para não comprar pela internet. ''Acho que o consumidor fica muito exposto porque qualquer pessoa pode ter acesso à web. A gente desconfia de quem está trabalhando do outro lado'', expõe o advogado Sheatiel Lourenço Pereira Filho.
O maquiador Wilson Nascimento já até comprou um kit de maquiagem e uma câmera digital pela rede mundial, mas diz que costuma evitar esse caminho. ''Quando vejo alguma coisa que não tem em loja, aí opto pela internet. Mas pelo fato de ouvir pessoas falando que foram lesadas (comprando por esse meio), tenho um pouco de insegurança'', comenta.
Na opinião da encarregada de setor fabril Luciana da Silva Pereira, a dúvida com relação ao procedimento em casos de defeito na mercadoria afasta a possibilidade de fazer compras na rede. ''Se na loja já é difícil trocar, imagine pela internet'', diz.
Outra preocupação recorrente ao consumidor na hora da compra é com relação ao prazo de entrega. ''É onde ele (o cliente) está realmente atento, e a loja será penalizada se não cumprir com o prazo acordado'', observa Alexandre Umberti, diretor de Marketing e Produtos da e-bit. Na sua avaliação, o acesso restrito do brasileiro à internet pode explicar um grande volume de pessoas que ainda não aderiu às compras on-line. ''Segundo levantamento do Ibope, dos 191 milhões de brasileiros, apenas 7 milhões têm acesso à internet. Grande parte dos acessos ainda ocorre em locais públicos, o que torna o aspecto da segurança ainda mais evidente'', comenta.
Praticidade
Já para o consumidor virtual, praticidade e facilidade na compra on-line estão ligadas à comodidade e ao conforto. No meio eletrônico, o cliente tem acesso a uma variedade maior de produtos, mesmo longe dos grandes centros. ''Com a internet, ele (consumidor) tem mais facilidade de adquirir o produto, paga com cartão de crédito em até 24 vezes e recebe em casa'', observa.
A editora de vídeo Mariah Frighetto faz bom proveito dessa vantagem que a internet oferece. Ela compra roupas, bolsas, acessórios, maquiagem, CDs, DVDs e presentes de outros Estados e países como Estados Unidos, Itália, Hong Kong e até de Israel, de onde já pediu um amuleto para uma amiga judia. ''(Comprar pela web) É simples até demais. Você acaba até banalizando um pouco e comprando mais'', opina. A última aquisição foi uma bolsa de cor amarela, que procurava ''fazia um tempão''. ''Aqui em Londrina é difícil achar. Procurei no e-bay e, em cinco meses, consegui.'' Mesmo o videogame, disponível por aqui, foi comprado em São Paulo, pela rede. ''Era mais barato'', diz. (M.F.C.)

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