Jay Dougherty
Deutsche Presse
De Washington
Jody Gruber passou anos sonhando em ter um filho. Incapacitada de conceber, experimentou terapia hormonal e tomou remédios para fertilidade, infrutiferamente. Então, desesperada, Jody, uma bióloga marinha de 43 anos, residente em Anchorage, no Alaska, se dirigiu à Internet e entrou em contacto com uma das muitas agências de adoção de crianças que anunciam seus serviços na web.
‘‘Queria dar um bom lar para uma criança que necessitasse de atenção e cuidado’’, diz Jody. ‘‘Foi por isso que me decidi a adotar um desses órfãos que sofreram grave desnutrição na Romênia sob a ditadura de Ceauscescu’’.
Após penosos seis meses na Romênia, durante os quais a agência de adoção tentou ajudá-la em sua luta contra a burocracia, Jody e sua filha finalmente chegaram em casa. ‘‘É como um milagre’’, diz ela. ‘‘Alyette tem cinco anos, mas parece ter dois. Agora, vem melhorando passo a passo’’.
Assim como Jody, cada vez um número maior de pessoas interessadas em adotar uma criança se volta para a Internet, porque a rede lhes permite buscar crianças necessitadas praticamente em todo o mundo.
‘‘Logo uma criança se torna realidade’’, diz Carol Foster, diretora da agência Angels Haven Outreach na cidade norte-americana de Hanover (New Hampshire), que usa apenas a Internet para unir pais a filhos e que só nos últimos quatro meses tornou realidade 35 adoções. ‘‘Basta olhar uma criança nos olhos para mudar de opinião. Graças à Internet, crianças têm agora milhões de chances de serem adotadas’’, afirma.
E muitos aplaudem esta nova tendência, pois tradicionalmente uma das tarefas mais difíceis das agências de adoção tem sido achar o lar adequado para a criança. ‘‘A web possibilita a rapidez das conexões e o que normalmente me tomaria muitas horas no telefone com a rede me toma apenas uma hora’’, diz Dawn Smith-Plier, diretor da agência ‘‘Friends in Adoption’’ de Vermont.
E não resta dúvida de que muitas crianças precisam de um lar. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que existam oito mil crianças para serem adotadas. O número pode dobrar ou triplicar no ano 2001, afirmam especialistas.
Reconhecendo o problema, o presidente Bill Clinton pediu ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos a abertura antes do ano 2001 de um site na Internet destinado à questão das adoções.
Mas há especialistas que salientam que a crescente importância da Internet como agente catalizador da adoção de crianças implica também em graves riscos. A maior preocupação se refere às várias agências de adoção ‘‘online’’ que prometem transformar estes pequenos seres humanos em ‘‘pacotinhos de ternura’’. A ênfase nesse aspecto pode impedir que um pai em potencial perca sua capacidade de tomar decisões racionais.
‘‘É o que chamamos de ir às compras sem sair de casa’’, diz Thais Tepper, diretora de um grupo pró-adoção internacional com sede em Washington (Pensilvânia).
‘‘Você vê as fotos dessas criaturas e exclama: ‘É o que eu buscava!’ Na realidade, você não compraria jamais uma casa pela Internet e tampouco compraria um automóvel sem vê-lo. Mas pode se enamorar pela fotografia de uma criança e isso é para toda a vida’’, diz Tepper.
Em casos extremos, pessoas inescrupulosas tentam se aproveitar de forma criminosa da relativa libertade da Internet e das centenas de casais que desejam adotar uma criança.
Um advogado norte-americano foi preso recentemente por tentar vender através da Internet um bebê de dez semanas. A mãe da criança também foi acusada. O casal interessado em adotar o bebê os denunciou à polícia. William Wallace, promotor assistente de Nassau, comenta: ‘‘O que eles estavam fazendo na realidade era tráfico de pessoas’’.
Uma boa dica de fonte de adoção de crianças na Internet é o Adoption.com, em www.adoption.com: um site dedicado a casais que procuram uma criança, crianças que precisam de uma família e adotados que buscam outros filhos adotivos para trocarem experiências.

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