Ilustração: MarceloAs próximas eleições gerais não serão iguais às últimas - pelo menos em relação às urnas eletrônicas e aos computadores. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apoiado numa solução da Oracle, empresa americana especializada em bases de dados, está mergulhado até o pescoço na informatização do maior processo eleitoral da história.
No total, serão 167 mil urnas, capazes de dizer o nome dos próximos deputados federais, deputados estaduais, governadores - e, claro, do Presidente da República - em tempo recorde. Nos estados inteiramente informatizados (Rio de Janeiro e Alagoas), vai-se saber quem ganhou em até 48 horas.
‘‘Nos outros, onde nem todos os municípios estarão usando urnas eletrônicas, vamos divulgar o resultado oficial em, no máximo, cinco dias’’, garante o secretário de informática do TSE, Luiz Antonio Raeder.
Para quem acha o prazo longo demais, Raeder lembra que nenhum país do tamanho do Brasil realiza eleições desse porte num só dia e, em nenhum deles, como aqui, o voto é obrigatório. Depois do recadastramento, que termina em maio, o Brasil terá mais de 105 milhões de eleitores. Só em São Paulo, serão mais de três mil candidatos. É um trabalho danado.
Do total de urnas, 77 mil usarão os mesmos micros 386, velhos de guerra, mas devidamente atualizados: no lugar de um dos disquetes, o micrinho terá um flash-card para guardar as imagens dos candidatos - desta vez, todos eles terão suas carinhas digitalizadas. No coração das restantes 90 mil, vai bater um chip Cyrix 586.
Para o eleitor, não muda nada. O que muda - e muito - é o processo de totalização, que será descentralizado. Até a eleição passada, os estados mandavam os dados para o TSE, em Brasília, e lá se fazia a totalização. Isto, agora, só vai acontecer com os votos para a Presidência. Os demais - para deputados (federais e estaduais), senadores e governadores - serão totalizados nos próprios estados.
O ‘‘sistema’’, na verdade, são dois: o cadastro de eleitores e o sistema de totalização dos votos. O cadastro, sozinho, consome nada menos do que 200Gb e, para ele, estão sendo preparados vários planos. O que está mais perto de virar realidade neste momento é um sistema semelhante ao da Receita Federal, em que seria possível consultar o andamento de processos e conferir informações da nossa carreira eleitoral on-line, via Internet.
A emissão de títulos novos, ou a atualização dos antigos - tarefa que era do TSE - também será atribuição dos tribunais regionais eleitorais. ‘‘Em breve, o eleitor vai chegar à sua seção eleitoral e sair de lá com o título novo em menos de 30 minutos’’, diz Raeder.
Já o sistema de totalização será montado numa rede nacional, via backbone da Embratel, e vai utilizar o mesmo protocolo da Internet, o TCP/IP. Através dessa rede serão enviadas as informações diretamente das mesas de apuração para os servidores e totalizadores, em Brasília.

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