Voluntários buscam ETs
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de março de 2001
Anick Jesdanun Associated Press De Nova York 
O internauta Michael Johnson está tão empenhado em encontrar vida no espaço sideral que comprou um computador de US$ 800 apenas para analisar sinais de rádio na busca por extraterrestres. Com seus três computadores e seu trabalho pessoal, Johnson doou quase dois anos de capacidade de processamento adicional à organização Busca por Inteligência Extraterrestre, conhecida como Seti (www.seti.org) por suas iniciais em inglês. Se for o primeiro a receber o sinal, melhor para mim, disse Johnson, morador de Omaha, Nebraska, que trabalha para uma empresa de telefonia de longa distância.
Johnson não é o único que busca a resposta para uma velha pergunta: Os terráqueos estão sós no universo?
Quase 3 milhões de internautas de todo o mundo doaram sua capacidade ociosa de processamento ao Seti@Home e a uma dezena de projetos da organização que busca vida extraterrestre. Ao conectar esses computadores, os pesquisadores podem estudar o céu mais minuciosamente. É um projeto pelo qual sinto grande carinho, disse Rob Yale, um canadense dono de uma empresa que estuda as estrelas desde os 11 anos. Faço o que posso para responder a uma pergunta que realmente me interessa.
O Seti@Home, cuja sede está na Universidade da Califórnia em Berkeley, usa o Radiotelescópio Arecibo de Porto Rico para registrar os sinais provenientes do espaço. Os pesquisadores distribuem esses sinais aos voluntários do Seti para que seus computadores os analisem e transmitam a Berkeley. Os voluntários precisam apenas conectar-se à Web e podem até configurar seus programas para que processem os dados automaticamente.
David Anderson, diretor do projeto, diz que os voluntários do Seti já identificaram centenas de milhões de possíveis sinais que merecem análise mais profunda, apesar de ser provável que se tratem apenas de um ruído de fundo ou sinais enviados da própria Terra. O projeto precisa de grande capacidade de processamento para compensar as incertezas quanto à rotação e à órbita de um planeta de onde vem o sinal, fatores que afetam a recepção dos sinais na Terra.
Em menos de dois anos, os computadores do Seti concluíram juntos mais de 570 mil anos de cálculos. Os 550 mil voluntários ativos oferecem o dobro da capacidade do mais veloz supercomputador do mundo, o ASCI White, produzido a um custo de US$ 110 milhões e criado para realizar simulações de armas nucleares. Os organizadores do Seti@Home esperam estender o projeto além de sua data-limite de maio, utilizando talvez um telescópio na Austrália.
Os adeptos ao projeto são fiéis. Dezenas de clubes Seti foram formados ao redor do mundo. É tudo muito competitivo e há uma página na rede mundial de computadores na qual são registrados os indivíduos e grupos mais produtivos. Muitos usuários se interessam por astronomia, outros por ficção científica. A maioria acredita na existência de vida fora da Terra, apesar de muitos reconhecerem que podem se passar décadas antes que uma confirmação seja possível.
Bill Fuller, consultor de informática em Magdalena, Novo México, disse que o Seti talvez nunca encontre vida extraterrestre, mas que o esforço vale a pena. Se ninguém procurar pelo que se espera descobrir, nunca será possível encontrar, profetizou.


