Volume dobra a cada 100 dias
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Paulo Vianna Agência Globo 
Os números da Internet são sempre escandalosamente chutados e gigantescos. Qualquer um que se proponha a dizer que a rede atingiu tantos milhões disso e que agora estão circulando tantos bilhões daquilo tem espaço garantido não só na própria rede - que, aliás, adora falar sobre si mesma - como na boa e velha imprensa de papel, esta que você está lendo agora. É como se esfregássemos continuamente os olhos com o gigantismo da brincadeira em que nos metemos.
Os números mais recentes foram divulgados na sexta-feira da semana passada, e são realmente astronômicos. Com a palavra, o Departamento de Comércio do Governo americano.
O volume de tráfego na rede dobra a cada cem dias. Entre 1993 e 1997, o número de usuários cresceu de três para 100 milhões. Quatro anos depois que a rede foi aberta ao público, havia 50 milhões de pessoas conectadas; o rádio levou 38 anos para atingir este universo; a televisão, 13 anos.
A tecnologia de informação foi responsável por 25% de todo o crescimento econômico registrado no mundo, ou seja, para cada dólar que o mundo cresceu, a comunidade internauta contribuiu com 25 cents. Profissionais de software e do setor de serviços ganharam, em média, no ano passado, US$ 3.800 mensais (ou mais ou menos R$ 5.300), o dobro do salário médio em todo o setor privado. Transações business-to-business (em bom português, negócios entre as empresas) vão superar a casa dos US$ 300 bilhões até 2002.
É possível relacionar aqui mais uma mancheia de números acachapantes, mas quem quiser pode (e deve) dar uma boa olhada no original, que está guardado em www.ecommerce.gov/emerging. htm. Lá você encontra não só números e mais números, mas também depoimentos do presidente Bill Clinton, do vice Al Gore, e de Bill Daley, secretário de Comércio. Só sobre Internet.
Convido todos os usuários da Internet, não só do setor privado, mas também do Governo, para se unirem a mim na procura de um consenso global, para que possamos entrar no novo milênio prontos para usufruir dos benefícios da era do comércio eletrônico, disse Clinton.
O estudo propriamente dito foi distribuído numa palestra de Bill Daley e dá mais informações sobre a rede - além de números. Intitulado Economia Digital Emergente, ele é o primeiro grande documento oficial a explicar com minudência o fenômeno da rede, e o primeiro a dar toda a moldura necessária que o mercado pedia, assumindo a real importância da rede para a sociedade e traçando as linhas gerais que o Governo, lá, vai seguir para estimular o crescimento da rede.
O trabalho faz também uma oportuna associação entre os problemas econômicos mundiais e a intensificação do comércio eletrônico, quantifica o interesse dos grandes blocos econômicos (Europa, Nafta, Ásia, e América Latina) na interligação de suas redes e lança um desafio: é preciso definir, no ciberespaço, os limites e as responsabilidades públicas e privadas, para que não se repitam, on-line, as disputas territoriais do planeta Terra. Mais: reiterando o que Bill Clinton disse no ano passado, o relatório deixa claro que Internet não rima com interferência governamental.
O texto é fundamental para quem gosta de falar sobre a rede. Está disponível também num arquivo PDF de 762Kb.


