Pergunte sobre vício a Vicente Medina, autor de uma página da Internet intitulada ‘‘Os sintomas principais de que você está viciado na Internet’’. ‘‘Como saber se você é viciado na Internet’’, indaga Medina. ‘‘Se você beija a página de sua namorada já é um caso perdido’’, afirma ele. ‘‘Se recusa-se a sair de férias para um lugar onde não haja eletricidade nem linha telefônica, tome cuidado’’, acrescenta. Mas deixando as brincadeiras de lado, o vício em Internet é um perigo real.
Kimberly Young, professor de psicologia da Universidade de Pittisburgh, estuda desde 1994 o fenômeno do vício em Internet. Young estima que dos cerca de 70 milhões de norte-americanos que navegam on line diariamente, entre 5% e 10% podem ser catalogados como viciados.
A faixa de maior risco inclui homens e mulheres que sofrem de depressão, ansiedade, baixa auto-estima ou de sequelas de vícios anteriores. Mas todos aqueles que deixam suas responsabilidades de lado enquanto navegam pela Internet podem estar a caminho do vício. ‘‘Muitos crêem que a Internet é um joguinho inocente, mas não 钒, diz Young. ‘‘De certa forma, é um vício socialmente aceitável, mas no espaço cibernético tem gente que está literalmente arruinando sua vida por causa da Internet. Pergunte a Bob Brown, que se confessa um ‘‘webviciado’’ e que se propôs a ajudar a outros viciados a superarem sua compulsão de navegar pela rede.
‘‘A forma mais segura de saber se uma pessoa está gastando mais tempo do que o prudente na world wide web é quando a esposa lhe manda um e-mail pedindo o divórcio’’, brinca Brown.
Assim como em outros tipos de vício, os viciados em Internet não apenas prejudicam suas vidas mas também a daqueles que os rodeiam. Esse é um problema que psicólogos e psiquiatras começaram a considerar como sério. Na Universidade de Pittsburgh, Young divulgou o primeiro estudo documentado sobre o vício na Internet, depois de interrogar mais de 500 ávidos usuários sobre seus hábitos on line. Os participantes da pesquisa responderam afirmativamente à pergunta ‘‘Você sente sintomas de privação - depressão, agitação, mau humor - quando não está on line?’
Os resultados do estudo são inquietantes. Em média, os participantes da pesquisa permaneciam pelo menos 38 horas semanais conectados na rede, comparados a apenas cinco horas semanais para os não dependentes. Além disso, os viciados em Internet não viajavam na auto-estrada da informação apenas para obter informação necessária a suas carreiras ou seus estudos. Pelo contrário, segundo a pesquisa de Young, a maioria dos viciados em Internet busca contato com outras pessoas através da rede. Suas atividades favoritas incluíam salas de ‘‘chat’’ e longas sessões de jogos on line. Os não viciados, pelo contrário, usam a Internet para correio eletrônico ou para buscar uma determinada informação na rede.
Da mesma forma, um estudo sobre 500 estudantes universitários feito por Kathy Scherer, psicóloga da Universidade do Texas, descobriu que os viciados em Internet gastam o dobro do tempo que os não viciados em jogos on line e conversando com estranhos nas salas de chat. Aqueles que se tornam viciados em Internet, dizem os psicólogos, desenvolvem os sintomas clássicos da dependência, e são cada vez mais frequentes os casos em que a compulsão pela navegação pela rede alcança tal proporção que a pessoa raramente faz outra coisa. ‘‘Uma vez conectado, era difícil parar, porque sempre havia uma nova mensagem a ler ou um novo grupo de notícias para abrir’’, diz Brown.
Numa reação a esse problema, começam a surgir de várias partes recursos para ajudar as pessoas a reconhecerem se estão em perigo de se transformarem em viciados na Internet. Nos Estados Unidos, existem universidades que, reconhecendo que há estudantes que se tornaram dependentes da rede, começaram a oferecer seminários para conscientização sobre esse vício. Aqueles que analisam o fenômeno discutem se o vício em Internet é apenas uma nova fixação de pessoas que já manifestaram tendências de se viciarem ou se existe aí um problema social subjacente.

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