Vida longa à mídia do mundo digital
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de novembro de 1998
Agência O Globo 
Um dos maiores problemas de quem lida diariamente com toneladas de informação e precisa armazená-las é escolher a mídia para isso. Os sistemas mais comuns de armazenamento usam microfilme, disco óptico, CD-R (CD gravável) ou CD-RW (CD gravável e regravável). Mas como optar pela mídia certa, aquela que possa garantir a integridade da informação por maior período?
Uma compilação apresentada pelo Centro Nacional de Desenvolvimento do Gerenciamento da Informação (Cenadem) durante a Infoimagem98 - que aconteceu no mês passado em São Paulo - mostra que a durabilidade das mídias está diretamente ligada à forma como são guardadas. O CD-ROM e o WORM (Write Once, Ready Many - disco óptico que só permite uma gravação) podem durar até 200 anos, se armazenados em ambiente com temperatura e umidade adequadas.
O analista de sistemas Cristian Paglioli, gerente Técnico da DDM Storage, empresa especializada em soluções de armazenamento, diz que a longa vida da mídia vai depender de três fatores: procedência, padronização do sistema de arquivo e forma de armazenamento.
O DVD-RAM, versão que é gravável e regravável e pode conter até 5.2Gb - capacidade oito vezes maior que a do CD-R - estará chegando ao Brasil no início do ano. Apesar de ainda trabalhar com a tecnologia phase change (mudança de fase), que garante uma durabilidade de dez anos mesmo sendo inferior ao magneto óptico (tecnologia presente nos cartuchos de discos ópticos e WORMs), o DVD deverá ser o substituto natural dos CDs e discos ópticos.
Paglioli diz que a tendência de mercado indica que o DVD passará a ser magneto óptico, com uma vida útil muito acima de dez anos. Para o analista de sistemas, é possível que nos próximos dois anos o DVD substitua os CDs e os discos ópticos, como os WORMs, hoje muito usados por instituições financeiras porque não podem ser apagados.
Apesar de caminharem paralelamente, o CD-R já está substituindo o WORM, pois os discos ópticos perderam terreno por falta de padronização. Mas, apesar de resolverem o problema do padrão, os CDs perdiam pontos na capacidade de armazenamento, problema que o DVD-RAM vai resolver, conta Paglioli.
O dado mais curioso da tabela montada pelo Cenadem esta relacionado ao velho microfilme, aquele encontrado em museus e bibliotecas. Apesar de ser um arquivo analógico, o microfilme dura até 500 anos, contra apenas 200 do CD-ROM e do WORM.


