Vespa-da-madeira tem inimigo natural
Edson Tadeu Iede
e Susete Penteado
Ciência Hoje
Uma pequena vespa vinda de outros continentes vem atacando e destruindo os pinheiros americanos (do gênero Pinus) usados em reflorestamentos no Brasil, em especial na região Sul. A praga, descoberta há 10 anos, fez órgãos públicos e produtores florestais se unirem para combatê-la, principalmente através da importação de inimigos naturais do inseto.
Existem hoje no Brasil cerca de 2 milhões de hectares reflorestados com Pinus. Metade desse total está na região Sul, onde são usadas basicamente as espécies Pinus taeda e Pinus elliottii , originárias da América do Norte. O uso de poucas espécies, associado à alta densidade de àrvores por hectare e ao manejo florestal inadequado, favorece o aparecimento de surtos de pragas e doenças, destacando-se entre elas a infestação de vespa-da-madeira.
A presença dessa vespa (Sirex noctilio) nas plantações de Pinus do país foi detectada em 1989 no Rio Grande do Sul, mas hoje o inseto já avança pelos estados de Santa Catarina e Paraná. Nas regiões de origem (Europa, Ásia e norte da África), a vespa-da-madeira é uma praga secundária, mas nos países em que foi introduzida, como Nova Zelândia, Austrália, Uruguai, Brasil e África do Sul, tornou-se a principal praga das florestas de Pinus.
O controle de praga com inseticidas não é eficaz, além de caro e inadequado em termos ambientais. Os melhores resultados são obtidos, segundo estudos feitos em outros países com o manejo florestal (desbastes periódicos), associado à introdução de inimigos naturais de Sirex noctilio, entre os quais destaca-se o nematóide Deladenus siricidicola, que estereliza as fêmeas da vespa. A combinação de controle biológico e manejo tem permitido a redução dos danos provocados pela praga.
Com cerca de 25 mm, quando adulto, Sirex noctilio é um himenóptero (ordem que inclui vespas, abelhas, formigas e alguns insetos menos conhecidos) da família Siricidae e subfamília. Os siricídeos desenvolvem-se no tronco de árvores e são comunente chamados de vespas-de-madeira. No Brasil, a maioria dos adultos da espécie emerge de novembro a abril, com picos em novembro e dezembro. Após o período inicial de vôo, quando acasala, a fêmea perfura o tronco da árvore com seu ovopositor e coloca os ovos na madeira.
Durante a postura, também são introduzidos esporos do fungo simbionte Amylostereum areolatum e um secreção mucosa responsáveis pela toxicidade e consequente morte das plantas. As larvas da vespas constroem galerias dentro da madeira e alimentam-se do fungo, completando seu desenvolvimento em geral em um ano.
As áreas de plantio mais suscetíveis ao ataque dessa pequena vespa têm em geral entre 10 e 25 anos de idade. Áreas sem desbaste são mais suscetíveis que as desbastadas, pois nas primeiras ocorre maior número de árvores estressadas (em função da competição por nutrientes, luz, etc.). Os sintomas de ataque começam a aparecer logo após os picos populacionais do inseto (novembro e dezembro), mas tornam-se mais visíveis a partir de março.
Os sintomas externos são respingos de resina na casca (as perfurações para a postura), o amarelecimento da copa, que depois se torna marrom-avermelhada, a perda das acículas (folhas das espécies de Pinus) e os orifícios de emrgência dos adultos. Os sintomas internos são manchas marrons no tecido logo abaixo da casca, que indicam a presença do fungo A. areolatum, e galerias feitas pelas larvas, que comprometem a qualidade da madeira.Nematóides para o controle biológico da vespa são fornecidos pela Embrapa de Colombo, no Paraná
Reprodução/Ciência HojeFêmea (à esquerda) e macho da vespa-da madeira que ataca as florestas de Pinus: no Brasil, inseto foi descoberto há 10 anosReprodução/Ciência HojeAs larvas da vespa fazem galerias dentro dos troncos, o que reduz a qualidade da madeiraReprodução/Ciência HojeA infestação também é identificada pelos orifícios deixados pela vespa adulta ao sair do troncoReprodução/Ciência HojeO verme Deladenus siricidicola, inimigo natural da vespa,é aplicado diretamente nas árvores





