Edinelson Alves Especial para a Folha
O mundo da informática deve se preparar, cada vez mais, para enfrentar as ‘‘novas doenças’’ que estão contaminando os sistemas. O último alerta feito nos Estados Unidos, na semana passada, é contra um programa virulento que tem devorado arquivos pessoais e corporativos. Conhecido como worm (verme), ele foi detectado pela primeira vez em Israel, há cerca de dez dias. Acredita-se que lá tenha se originado e depois espalhado pela Europa e pelos Estados Unidos num período de dois dias. Enquanto se propaga de um computador para outro, ele pode destruir dados, particularmente os de arquivos de programas amplamente usados da Microsoft, como o Word e o Excel. A Computer Emergency Response Team, equipe de reação de emergência de computadores financiada pelo governo americano, alertou que o programa pode se espalhar não apenas através de anexos de e-mail, mas também através de redes internas corporativas.
A orientação é de que as empresas precisarão adotar medidas mais duras e potencialmente mais caras para se protegerem de um ataque, já que os computadores podem ser infectados mesmo que seus usuários evitem abrir anexos de e-mails suspeitos. Se uma máquina infectada partilhar arquivos com outros computadores em uma rede, o programa tentará infectar continuamente estes computadores e apagar os arquivos de máquinas supostamente protegidas. ‘‘Há um risco contínuo de infecção. Se for instalado um programa antivírus, mas não impedir a partilha de arquivos enquanto cada computador individual estiver desinfectnado, o programa continuará tentando reinfectar os computadores da rede’’, disse ao New York Times, o pesquisador Shawn Hernan.
A Network Associates, da Califórnia, uma das maiores vendedoras de programas antivírus, disse que 60% das 300 grandes corporações que são suas clientes informaram a infecção de seus computadores pelo programa. Uma das mais prejudicadas foi a Storage Technology Corp., uma empresa de armazenamento de dados, que teve cem mil arquivos destruídos na sua sede no Colorado.
Segundo especialistas, o vírus conhecido como Explore.exe não tem se espalhado na mesma velocidade do vírus Melissa, mas seu poder de destruição é muito superior. O Melissa infectou 19% das grandes corporações americanas em março e, mesmo sem destruir arquivos, em apenas uma semana, segundo pesquisa recente da ICSA, provocou estragos estimados em US$ 393 milhões. O temor contra o novo vírus é grande porque as principais empresas antivírus disseram que seus produtos protegiam contra a nova infecção, mas não contra o risco do apagamento de arquivos caso uma máquina infectada estivesse conectada à rede. Só a Imagio Technology Marketing and Communications revelou que, em apenas dois dias, dez milhões de cópias de seu programa antivírus foram obtidas pela Internet.

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