Veneno nas águas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Eduardo Castor Borgonovi Agência Estado 
ReproduçãoCalcula-se que o Pifiesteria pisciscida já matou mais de um bilhão de peixes na Carolina do Norte (EUA). Seres humanos também apresentam sintomas que podem estar relacionados ao contato com o animalSeu nome científico é Pifiesteria pisciscida. Ele tem um organismo de apenas uma célula e, pelo seu tamanho, está provocando muito mais preocupações do que se poderia imaginar. O Pifiesteria vive nas águas, lança um veneno que tonteia os peixes e, em seguida, solta um enzima que dissolve a carne dos animais para que ele possa ingeri-la. Só na Carolina do Norte calcula-se que tenha matado pelo menos 1 bilhão de peixes.
As vítimas do Pifiesteria costumam ser os peixes de água doce. Porém, vários órgãos de saúde do Governo norte-americano, como a Agência de Proteção do Meio-Ambiente e o Centro Para Controle e Prevenção de Doenças, já estão realizando pesquisas para determinar até que ponto ele pode atacar seres humanos. Técnicos de seis estados - Virginia, Mariland, Delaware, West Virginia, Pensilvânia e Carolina do Norte - reuniram-se recentemente para organizar essas pesquisas e planejar como informar a respeito sobre os possíveis perigos representados pelo monstrinho.
É claro que esse pequeno organismo unicelular não pode derreter a carne de uma pessoa, como se fosse um monstro saído de histórias de ficção científica, mas já existe grande número de registro de pessoas apresentando sintomas como fadiga, dores de cabeça, diarréia, perda de peso, problemas respiratórios, irritações na pele e problemas de memória. Esses sintomas surgiram depois que elas tiveram alguma forma de contato com águas que abriguem o Pifiesteria, ou com peixes pescados nessas águas, conforme foi constatado pela Universidade de Maryland e pela Universidade Johns Hopkins.
Perda de memóriaOs primeiros sinais de problemas com seres humanos foram registrados há cerca de um ano, quando surgiram muitas reclamações de pescadores na região de Baía de Chesapeake, perto de Washington. As principais queixas dos pescadores era uma perda progressiva de memória. Eles faziam coisas e acabavam se esquecendo de que as haviam feito, informa o relatório da Univesidade de Maryland, depois dos exames e entrevistas com os pescadores. Os exames revelaram que esses pescadores tinham o sistema imunológico funcionando normalmente e as lesões em suas peles eram comuns, como as provocadas por pernilongos e outros insetos pouco nocivos.
Entretanto, as dificuldades com memória e aprendizado eram avançadas e explicáveis apenas pelo contato desses pescadores com águas onde existe grande quantidade de Pifiesteria. Cinco daqueles pescadores, submetidos a exames tomográficos, mostraram significantes alterações na atividade cerebral, principalmente no córtex frontal, segundo o dr. Glenn Morris, médico-chefe da equipe da Universidade de Maryland que está estudando o caso. Essa alteração na atividade cerebral é muito preocupante para os médicos.


