O desperdício sempre foi um estigma que acompanhou a atividade empresarial, mais ainda porque essas perdas quase nunca puderam ser mensuradas adequadamente. Nos dois últimos anos, no entanto, com o crescimento do comércio eletrônico e os parâmetros por ele fornecidos com relação a custos, esse prejuízo está se tornando cada vez mais visível.
Dados preliminares levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) indicam que, dos US$ 300 bilhões referentes aos insumos que constituem os US$ 870 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, cerca de 10%, ou US$ 30 bilhões, se perdem por falta de otimização da produção.
Ao mesmo tempo, há indicativos concretos de que os gastos das empresas com produção poderiam ser reduzidos em 10% a 15% com a instituição da venda eletrônica.
Atenta a esse cenário, a CNI resolveu analisar o crescimento do comércio eletrônico e o seu impacto sobre os custos das empresas nacionais. Para tanto, realizou na semana passada em Brasília, em parceria com o IEL nacional, o seminário internacional ‘‘Comércio eletrônico: impacto imediato nos negócios’’, com cinco workshops simultâneos abordando todas as variáveis desse segmento.
Segundo o coordenador do Programa de Informação Mercadológica do IEL, Humberto Luiz Ribeiro, as duas entidades já vêm se dedicando ao tema há algum tempo, motivadas especialmente pelo crescente volume de negócios via Internet e pela redução de custos que a venda eletrônica pode trazer as empresas. ‘‘Além de acabar a figura do atravessador, o comércio eletrônico aumenta o fluxo de informações das empresas, induzindo-as à maior competitividade’’, afirma.
O presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI, José Carlos Gomes Carvalho, se tornou um entusiasta do comércio eletrônico, após ter tomado conhecimento da rapidez com que algumas transações foram realizadas.
Como exemplo, ele cita o caso da empresa Lite-on, com sede em Taiwan, que fechou contrato com um fornecedor dos Estados Unidos para entregar drives de CD-ROM em quatro horas, quando, em média, este tipo de entrega leva um mês.
A rapidez na entrega dos CD-ROM foi possível, segundo ele, porque a empresa estabeleceu um ousado sistema logístico, envolvendo transportadores, armazéns distribuidores e, principalmente um sistema de troca eletrônica de dados que inclui desde os pedidos eletrônicos dos clientes, posição de estoques de insumos, a até requisições de componentes de seus fornecedores.
O comércio eletrônico, segundo ele, ‘‘é importante aliado na redução do ciclo da produção, dos níveis de estoques de insumos e na eliminação de atravessadores que não agregam valor à cadeia produtiva’’.
Ribeiro diz que as vendas nacionais via Internet na área industrial estão apenas começando, sendo que entre as grandes empresas somente a Volkswagen do Brasil já implementou uma rede interligando todos os seus fornecedores, incluindo aqueles da Alemanha e da Argentina. ‘‘A empresa coloca o pedido e recebe na tela todas as cotações de seus fornecedores, com preço e prazo de entrega’’, observa.
Seguindo esse exemplo, ele informa que a CNI está desenvolvendo um projeto-piloto para implementar a primeira comunidade virtual, onde várias empresas poderão colocar suas demandas por produtos e receber as respectivas ofertas de seus fornecedores.
O objetivo da CNI e do IEL, segundo Ribeiro, é levar todas as informações sobre transações eletrônicas às empresas, em especial às pequenas e médias, que têm grande chance de aumentar as suas vendas, em especial as de pequenos valores.
O comércio via Internet no Brasil hoje, está somente engatinhando, se for comparado com os Estados Unidos e Europa. O valor total das operações mundiais via Internet saltou de US$ 2,6 bilhões em 1996 para US$ 20 bilhões em 1998, devendo alcançar US$ 300 bilhões em 2002, sendo dominado praticamente pelos países desenvolvidos, segundo estimativa do Departamento de Comércio americano.
Esse crescimento também será acompanhado pelo aumento de usuários da rede, cuja previsão é passar de 50 milhões em 1997 para 200 milhões em 2.001. ‘‘Não podemos ficar fora desse comércio’’, alerta o coordenador do IEL.

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