O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), a Universidade de São Paulo (USP) e a Copersucar, cooperativa formada por usinas de açúcar e álcool, assinaram no mês passado contrato para dar continuidade ao desenvolvimento conjunto do primeiro plástico biodegradável do Brasil e o único do gênero no mundo produzido a partir da fermentação do açúcar. Todo ano, cerca de 1,6 milhão de toneladas de lixo plástico ajudam a lotar os aterros sanitários brasileiros.
Segundo Carlos Eduardo Rossel, chefe da divisão de processos da Copersucar, a meta é conquistar até 5% do mercado brasileiro de termoplásticos - setor com faturamento de US$ 2,4 bilhões em 97 e crescimento médio anual de 7,7% nos últimos sete anos.
Em seus cinco anos de existência, o projeto consumiu investimentos de US$ 5 milhões, entre recursos da Copersucar, do IPT e do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), com patrocínio do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Banco Mundial. A produção em escala industrial deve começar em dois anos.
Serão investidos cerca de US$ 40 milhões na construção de uma fábrica, de onde sairão cerca de 10 mil toneladas de plástico por ano, explica Rossel. Ao que tudo indica, a planta será abastecida por diversas usinas filiadas à Copersucar, acredita o gerente de novos produtos e de negócios da cooperativa, Marco Azzolini.
Com a fabricação do novo plástico - desenvolvido em fábrica-piloto na Usina da Pedra, em Serrano, na região de Campinas (SP) - os usineiros pretendem encontrar um destino lucrativo para os subprodutos do refino do açúcar. Como incentivo para as vendas, terão as pressões de movimentos ambientalistas. Afinal, os plásticos convencionais, de origem petroquímica, responsáveis por 20% do lixo urbano do Brasil, demoram de 50 a 100 anos para se degradar, diz Rossel.
Bom para o meio ambiente, o plástico biodegradável também tem seu problema: preços altos. Há cerca de três anos, produtos similares - feitos na Inglaterra pela Monsanto, a partir do açúcar de beterraba, e nos Estados Unidos pela Cargil, com base no ácido lácteo - custavam de 10 a 15 vezes mais que os similares tradicionais, conta Azzolini.
Mesmo sem ter cotações atualizadas, ele aposta na tendência de redução dos preços, motivada pelo desenvolvimento de novas tecnologias. Além disso, o produto brasileiro tem a vantagem de usar matéria-prima mais barata. ‘‘O açúcar da cana sai por quase 10% do preço do similar de beterraba’’, diz o engenheiro José Pradella, responsável pelo desenvolvimento do novo plástico no IPT. Mas Azzolini pondera: ‘‘Ainda é prematuro calcular preços’’.
Justamente pelo custo maior, o novo plástico deve ser inicialmente usado na fabricação de embalagens de produtos cujo preço dilua o custo do plástico. Será o caso de embalagens em forma de filmes e plásticos, para cosméticos, alimentos e agrotóxicos, exemplifica Azzolini.
Por enquanto, o material produzido pela fábrica-piloto está sendo testado por 12 fabricantes de plásticos, entre eles a Cromex. As empresas estão desenvolvendo formas para melhorar características como flexibilidade, resistência e pigmentação dos novos materiais. Os maiores avanços estão nas experiências para moldagem do produto pelo processo de injeção, utilizado na fabricação de produtos como tampas de garrafa.
Os plásticos da Copersucar são obtidos a partir de grânulos com propriedades físicas muito parecidas com as do polipropileno, encontrados em bactérias alimentadas com a sacarose da cana. Por sua origem, o produto se degrada num período de quatro meses a dois anos, conforme o lugar onde for depositado.
Quimicamente, os plásticos em desenvolvimento são dois poliésteres biodegradáveis: o polihidroxibutirato (PHB) ou copolímeros de polihidroxibutirato/hidroxivalerato (PHB/HV). Em princípio, a Copersucar pretende restringir a produção ao primeiro tipo, mais barato, porém, menos flexível e mais frágil.Mário CésarPlásticos convencionais são responsáveis por 20% do lixo urbano produzido no Brasil e demoram de 50 a 100 anos para se degradarAgência Estado

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