Vá ao supermercado apenas se você quiser
Agência O Globo
Do Rio
Uma feira anual de alimentos e bebidas, promovida pelo Food Marketing Institute em maio, em Chicago, mostrou que as novas tecnologias desenvolvidas para o varejo são uma benção para quem detesta ir ao supermercado. A partir de agora, quem não tem saco para empurrar carrinhos, comparar preços na prateleira, embalar e, ainda por cima, carregar as compras até em casa, poderá lançar mão de uma série de aparelhinhos destinados ao home-shopping e abastecer a despensa sem pôr os pés na rua.
Não se trata de apenas navegar nos sites de supermercados. O que vem por aí é muito melhor: entre as novidades, está uma variedade de scanners portáteis, que já estão sendo fabricados em escala comercial e prometem facilitar o dia-a-dia do consumidor.
O sistema é simples. Em vez de anotar o que pretende comprar e se dirigir ao mercado, o consumidor só precisará escanear, em casa, os códigos de barras dos produtos que deseja. Quando a lista eletrônica estiver pronta, bastará fazer um download para o computador e mandar a relação por e-mail para o supermercado.
A empresa americana Symbol está vendendo três versões de scanner: um palm-pilot, organizador pessoal que, além de operar como agenda e calculadora, contém o scanner e é vendido a US$ 545; a Cyber Pen, uma caneta à la 007, que escreve de um lado e escaneia de outro, por US$ 149; e o scanner portátil CS 2000, que custa US$ 159 e cabe na palma da mão.
O consumidor pode escanear o código do produto que acabou e armazenar os dados, para enviar sua lista de uma vez só ou ir enviando mensagens diárias, afirma o gerente de negócios da empresa, Patrick Murphy. Só irá ao supermercado quem quiser.
Para pagar as compras feitas pela Internet, as facilidades também serão cada vez maiores. Segundo o consultor americano Richard Wolf, especialista em tecnologias futuras para o varejo, quem tiver receio de dar o número de seu cartão de crédito na rede poderá pagar on line com um smart card. O consumidor só precisará carregar o cartão com valores no site de seu banco e enviar o dinheiro eletrônico para o caixa do mercado, via web.
As novas tecnologias são tantas que os mais aficionados poderão até ter um pequeno terminal na porta da geladeira - com acesso à Internet, evidentemente - que funcionará como uma espécie de controle de estoque.
O sistema será programado para que a cada vez que um produto for retirado da geladeira, uma mensagem seja enviada ao supermercado para que a reposição possa ser providenciada, explica Wolf.
Os que gostam de ir pessoalmente aos mercados também vão encontrar cada vez mais tecnologia de ponta. A começar pelas etiquetas digitais, que substituirão as de papel. Para os clientes, o sistema pode ser sinônimo de conforto e economia. Com as etiquetas informatizadas, os mercados mais agressivos poderão, por exemplo, fazer promoções relâmpagos, ou mesmo simular uma feira no setor de hortifrutigranjeiros, baixando os preços ao longo do dia - o que seria impossível no sistema manual.
Outra aposta da Symbol é no uso em massa dos scanners portáteis nos mercados. Similar aos domésticos, estes aparelhos - que já estão à venda nos EUA - serão entregues aos consumidores assim que eles chegarem à loja. Para iniciar as compras, bastará ir clicando no código de barras dos produtos escolhidos. Quem mandar entregar em casa não precisará sequer colocar os produtos no carrinho. Numa cena hoje impensável, o consumidor andará pelo mercado carregando apenas o scanner na mão e, ao fim das compras, retirará automaticamente sua nota fiscal na devolução do aparelhinho.





