Usuário doméstico é alvo do Win2000
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de novembro de 1998
Gustavo Fuchs Especial para Agência O Globo 
Não se anime: se você espera várias novidades do Windows 2000, e um sistema revolucionário, pode tirar o cavalinho da chuva. Desta vez, a idéia da Microsoft é apenas dizer adeus ao Windows 98 e consolidar o NT como plataforma padrão do mercado, seja para usuários domésticos ou grandes empresas.
Para que esta estratégia funcione, entretanto, a MS sabe que precisa acabar com a idéia de que o NT é feito só para mercado corporativo. Por isso, desde as primeiras versões beta do NT 5, foi anunciado que os drivers seriam os mesmos do atual 98.
Apesar de se apresentar em quatro produtos distintos, o NT 5 não trará, no fundo, grandes novidades. A versão Professional será a versão 5.0 do NT Workstation, que agora deixará de atender apenas aos usuários de grandes corporações para também atender ao micreiro que não aguenta mais tantos GPFs. A versão Server é o já conhecido NT Server que, nessa nova era, perde um pouco de seus recursos, como o suporte a quatro processadores, mas continua na briga com outros servidores de pequenos escritórios e departamentos. As maiores novidades são as versões Advanced e DataCenter Server. A Advanced vem popularizar a Enterprise Edition existente na versão 4 do NT, só que pouquíssimo divulgada, com alguns recursos de clustering e suporte a até quatro processadores simultâneos.
Já a versão DataCenter Server vem com o objetivo de alcançar um mercado que, antes, era território de mainframes e sistemas UNIX: os sistemas de alto processamento e aplicação critica. Sempre pairou sobre a cabeça das grandes empresas a eterna dúvida relativa à estabilidade e disponibilidade dos servidores NT da Microsoft. Com esse dimensionamento e especialização de produto por tamanho de processamento e área de atuação, ela espera acabar de vez com essa desconfiança.
Para manter a qualidade e o respeito dos produtos da família NT, a Microsoft pretende colocar um selo Built on NT Technology que deixa bem claro que os futuros produtos Windows 2000 não são mais uma versão do 95 ou 98, mas sim derivados do NT, que passaram por uma pequena mudança de nome para conquistar novos mercados, mas mantém a qualidade.
Em resumo: parece que, mais uma vez, o trabalho pesado vai ser da divisão de marketing. Da qualidade dessa, ninguém duvida.
Um detalhe curioso nessa história: o nome Windows 2000 não pertence à Microsoft, mas a Bob Kerstein, um empresário americano que trabalha com Internet, opera um website com este nome e - incrível! - diz que não pretende processar a Microsoft por uso indevido da sua marca. Será que eles já acertaram por fora?
GUSTAVO FUCHS é engenheiro de sistemas certificado pela Microsoft (MCSE)


