Use o seu celular para ficar ONLINE
Cora Rónai
Agência O Globo, Do Rio
Há uma revolução tão espantosa quanto a Internet acontecendo neste momento. É uma revolução móvel, de bolso, e já chegou, pelo menos em tese, às mãos de cada usuário de telefone móvel (o termo chique para telefone celular). No último dia 12, em Genebra, do centro da Telecom 99, um deles a resumiu para a CNN:
Todo mundo vai estar online, o tempo todo, em todo e qualquer lugar.
É claro que este não era um usuário comum. Era Larry Ellison, o polêmico CEO da Oracle, revolucionário bem conhecido. Brandindo o seu Nokia durante toda a entrevista como se fosse uma arma ou um troféu, ele explicou que o grande veículo para a universalização da Internet não será o computador, mas o celular, que é mais barato e mais fácil de usar do que o micro.
Os sinais que apontam nessa direção são claros - a começar pela própria Telecom, que até outro dia era uma feira sem maiores repercussões fora do mundo das telecomunicações, e que agora é, indiscutivelmente, o evento mais importante na área da Tecnologia de Informação. Outro sinal? No ano passado, venderam-se ao redor do mundo mais telefones celulares do que automóveis e computadores juntos: foram nada mais nada menos do que 165 milhões de aparelhos. O número total de telefones móveis em circulação mundo afora é de 375 milhões; e a tecnologia para juntá-los à Internet já existe, funcionando lindamente não só em telefones, mas também em outros aparelhos, como os palms.
Em alguns países já se vendem quase tantas linhas celulares quanto fixas; nums poucos, vendem-se mais. É o caso da Finlândia, onde 60% da população usam telefone móvel. Com cerca de cinco milhões de habitantes altamente educados, desfrutando de uma renda per capita de U$ 22 mil, a Finlândia já é, hoje, o mundo amanhã. Por trás desta pole position na corrida para o futuro está a Nokia, maior empresa finlandesa e uma das principais responsáveis pela revolução em curso. Só para vocês terem uma idéia: daqueles tais 165 milhões de celulares vendidos em 1998, 41 milhões foram Nokias.
Acontece que, para os intrépidos finlandeses da Nokia, não basta ser móvel; é preciso estar conectado.
O protocolo Internet (IP) está nos dando uma nova e gigantesca infraestrutura para desenvolvermos nossas atividades, explica Pekka Ala-Pietila, presidente da empresa. A mobilidade, por sua vez, ampliará o alcance de todos, permitindo-lhes oferecer às pessoas os serviços que quiserem, quando e onde os quiserem. Juntos, o IP e a mobilidade nos darão uma base de lançamento para todo um mundo de oportunidades. Assim como a eletricidade, esse novo fenômeno vai nos possibilitar fazer inúmeras outras coisas, muitas das quais sequer somos capazes de imaginar hoje, mas que poderão vir a ter importância vital num futuro não muito distante.
No futuro relativamente próximo chamado Helsinqui já é possível ter uma vaga noção de como será a nossa vida entre celulares espertos e conexões ubíquas. Falar no telefone, por exemplo, está fora de moda há tempos. Chique e prático é mandar mensagens para os amigos, usando o telefone para se comunicar diretamente com outros telefones, como se fosse, digamos, um pager self-service. Parece uma bobagem, mas é só quando a gente vê essa moda em ação que percebe como uma conversa falada pode ser indiscreta e inconveniente.
Mais chique e mais prático ainda é ter acesso à mailbox da mesa do restaurante, enquanto se espera pela comida. Isso se faz com um crossover de telefone e PDA que, à primeira vista, parece um trambolho complicado feito sob medida para mauricinhos - mas que, à primeira usada, se mostra indispensável. Eu, francamente, não sei como estamos conseguindo sobreviver sem isso. Tanto mais que o tamanho da base instalada favorece a criação de novos serviços; já há, na Internet, todo um mundo de informações e utilitários especialmente desenvolvidos e/ou formatados para os palms, que caem como luvas nesses telefones.Já é possível ter uma vaga noção de como será a nossa vida
entre celulares espertos e conexões quase simultâneas
Agência O GloboAgência O GloboEstas maravilhas miúdas ainda são um protótipo do que será a terceira geração dos celulares, com transmissão de imagens e acesso à Internet. Alguns pesquisadores da Nokia acham que estamos vivendo os últimos anos do telefone colado ao ouvido; em breve, a conversa será olho no olho, como aqui





