Jay Dougherty, Deutsche Presse Agentur
Pode estar muito próximo do fim o tempo em que você precisava ir à loja de discos mais perto para comprar o último compact disc. Se os prognósticos da indústria da computação e fonográfica se tornarem realidade, a Internet em breve se transformará no modo favorito de divulgação de gravações sonoras. Esta revolução musical terá lugar graças a novas tecnologias de compressão de áudio. Para internautas de carteirinha, nada de novo. Mas àqueles que ainda estão se familiarizando com o surf pela Grande Rede, o Motion Picture Expert Group Audio Layer 3 (MP3) está entre as técnicas mais populares. Este é formato de codificação e compressão que permite aos aficionados da música transferir sons rapidamente para o computador pessoal, com a qualidade de compact disc - mesmo através das atuais conexões relativamente lentas dos modems análogos.
Mas a técnica MP3 provoca também uma forte controvérsia. Isto porque, apesar dos benefícios óbvios dessa tecnologia como meio de distribuição on line de áudio, os usuários da Internet estão utilizando a MP3 como forma de piratear gravações protegidas por direitos de propriedade intelectual. ‘‘Neste momento, cerca de 95% das transferências MP3 na Internet são ilegais’’, diz Hilary Rosen, representante da Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (RIAA).
A RIAA e outras organizações da indústria musical combatem a técnica MP3 porque ela é tão eficaz que deflagrou uma onda de pirataria de discos on line como nunca antes vista pela indústria fonográfica.
As páginas web dedicadas à distribuição de música em formato MP3 se proliferam e há informações de que estudantes de universidades norte-americanas possuem servidores inteiros carregados com gravações MP3. Apesar disso, e pelo contrário, aproveitando o entusiasmo que impera, os fabricantes de hardware estão lançando apressadamente no mercado aparelhos portáteis para reprodução de música MP3.
A Diamond Multimedia, fabricante norte-americano de periféricos, foi o primeiro a colocar à venda um aparelho portátil MP3 chamado ‘‘Rio’’. O site oficial da MP3 na web www.mp3.com oferece aos navegantes da Internet instruções sobre como fabricar seus próprios CDs a partir de música MP3, transferida da rede.
Graças à complexidade internacional da Internet, colocar freio na distribuição ilegal de música com copyright em formato MP3 é difícil, mas não impossível.
Isso não impedirá que a indústria fonográfica o tente. ‘‘A proteção é de importância primordial’’, diz Ken Berry, presidente da empresa EMI.
A RIAA e companhias da indústria de alta tecnologia, como a Microsoft, a IBM e a America Online, estão trabalhando conjuntamente na produção de uma técnica standard destinada a combater a cópia e a pirataria de música através da Internet.
O ponto principal dessa iniciativa é uma norma de segurança ‘‘pague para transferir’’ que, ao menos em sua fase inicial, será voluntária. O grupo de empresas unidas no projeto espera que ele esteja pronto antes da época de compras de Natal deste ano.
Mas nem todos os arquivos de música MP3 são ilegais. De fato, a técnica MP3 é elogiada pela indústria fonográfica porque é uma oportunidade única para que artistas pouco conhecidos consigam que sua música seja ouvida e possam distribui-la a uma vasta audiência na Internet.
Há músicos desconhecidos que criaram suas próprias páginas na web, precisamente para oferecer suas criações gratuitamente ao público. Outros vendem suas canções diretamente sem a intermediação nem a necessidade do apoio de uma empresa fonográfica.
‘‘Em vez de recorrer a uma página de vendas on line para comprar um CD físico para que seja enviado pelo correio, a pessoa pode comprar o disco e transferi-lo diretamente para o disco rígido do computador’’, diz Gene Hoffmam, da Goodnoise.com, que vende a produção de vários músicos ‘‘no-name’’. Apesar da discussão sobre pirataria de gravações, está claro que a técnica MP3 acabará por se impor.
Tanto a indústria da computação como os executivos do ramo musical estão de acordo em uma coisa: a técnica MP3 e a Internet estão destinadas a mudar para sempre a forma de consumir e receber música no futuro.

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