Arquivo Folha




Antes da pesquisa da UNESP, profissionais só podiam avaliar na prática a durabilidade dos materiais de restauração

Novas resinas compostas para restaurações de dentes são comercialmente lançadas com uma certa frequência no mercado. Para saber qual o comportamento de cada uma, quanto ao desgaste provocado pela mastigação e saliva, os dentistas precisam pedir a opinião de algum professor das Faculdades de Odontologia ou confiar nos vendedores. Ou precisavam, até ser desenvolvido um método de ensaios rápidos, que permite comparar o desgaste de diferentes resinas, em apenas 60 segundos. O novo método é fruto de uma pesquisa coordenada por Eduardo Bianchi, da Engenharia Mecânica da Universidade Estadual Paulista, UNESP (http:/www.unesp.br), e por César Antunes de Freitas, da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo, FOB-USP (http://www.fob.usp.br).
Até então, os pesquisadores normalmente recorriam a testes feitos em pacientes voluntários, cuja duração era de 4 a 5 meses e os resultados pouco confiáveis. Nos testes tradicionais, são feitas restaurações com as novas resinas e a posição da resina e dos dentes é marcada. Depois de alguns meses, o paciente volta e as resinas são novamente marcadas, para efeito de comparação e verificação do desgaste. ‘‘Os resultados destes testes são limitados, na medida em que as pessoas têm hábitos alimentares, hábito de mastigação e pH da saliva diferentes’’, explica Eduardo Bianchi, da UNESP. ‘‘No laboratório de usinagem por abrasão, ao contrário, podemos testar as várias resinas nas mesmas condições e realmente comparar o desgaste entre elas, sem a influência de fatores externos’’.
TestesNa banca de ensaios desenvolvida por Bianchi, as resinas são colocadas na periferia de discos metálicos. Um disco parado é submetido à abrasão de um disco em movimento e, em 1 minuto, se pode medir com precisão qual o desgaste, que na boca do paciente levaria meses para acontecer. O laboratório de usinagem por abrasão, da UNESP, dispõe-se a fazer regularmente estes testes, publicando os resultados para uso dos dentistas e para que os fabricantes de resinas também se orientem quanto às características dos produtos disponíveis no mercado.
O novo método de teste de resinas será apresentado no próximo Congresso Brasileiro de Engenharia Mecânica, COBEM97, a ser realizado em dezembro, em Bauru. A UNESP também acaba de receber recursos da ordem de R$ 15 mil para aperfeiçoar sua banca de ensaios, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP (http://www,fapesp.br).
Maiores informações sobre os testes com resinas compostas com Eduardo Bianchi, através do telefone (014) 230-2111 ou no endereço eletrônico bianchibauru.unesp.br. Para saber detalhes sobre o congresso, o endereço é cobem97feis.unesp.br

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