Uma ONG dos anos 30
Peter Lund é o pioneiro da paleontologia e da arqueologia americana. Na região de Lagoa Santa, ele escravou intensamente de 1835 a 1845, tendo feito achados de enorme valor científico. A partir dessa data, as pesquisas na região ficaram suspensas por mais de 80 anos. Nesse período, a área sofreu muitos saques e depredações. Só em 1926 o arqueólogo Drenkpaul Padberg, do Museu Nacional (RJ), realizaria ali alguns trabalhos.
Em 1993, a Academia de Ciências de Minas Gerais entra em cena. Seus menbros – Harold Walter, Anibal Mattos, Arnaldo Cathoud e, mais tarde, Josaphat Penna (1911 – 1992) – descobrem novos sítios na região de Lagoa Santa e trabalham em Lapa de Confins, Lapa Vermelha, Cerca Grande, Caetano, Mãe Rosa, Eucalipto, Samambaia, Urubu, Borges. Em 1935, descobrem os famosos crânios humanos de Confins. Sua datação foi feita fora do Brasil, no final dos anos 40, com base na concentração de flúor.
A Academia jamais contou com recursos do Estado, como acontecia com os institutos históricos e geográficos. Era uma espécie de ONG dos anos 30, que se autofinanciava. Seus membros defediam a hipótese lundiana de convivência do homem americano com a fauna pleistocênica e sempre procuraram publicar seus trabalhos. Preocupados em divulgá-los para o grande público, faziam conferências e, nos anos 50, organizaram duas grandes exposições em Belo Horizonte, quando foram exibidos restos paleontológicos e humanos, além de artefatos arqueológicos da região de Lagoa Santa, com destaque para uma curiosa coleção de cachimbos indígenas.
Nos final dos anos 40, o arqueólogo Clifford Evans vem a Lagoa Santa e elogia o trabalho da Academia, inclusive as técnicas de escavações usadas. Com Betty Meggers e Mário Simões, Evans participa do núcleo central que fundou o Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas, nos anos 60, um marco da arqueologia brasileira.
Em 1971 a Missão Arqueológica Francesa chega ao Brasil e faz pesquisas na região de Lagoa Santa. Seu trabalho mais importante é a descoberta, em 1975, dos restos esqueletais de Luzia, o mais antigo vestígio humano das Américas. membros da Missão criticaram duramente a Academia, taxando de amador o trabalho feito por seus integrantes.
Mas na avaliação do bioantropólogo Walter Neves, os menbros da Academia não eram amadores como afirmavam alguns especialistas nem podem ser considerados arqueóologos profissionais na acepção que o termo tem hoje. ‘‘Walter Mattos e Cathoud foram sábios naturalistas que deram grande contribuição à arqueologia americana ao fazer expedições à região de Lagoa Santa, coletar material, estudá-lo, publicar o resultado de suas pesquisas e finalmente doá-lo a uma instituição como a UFMG’’, defende Neves.

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