Uma odisséia em Marte
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaO próximo larMissões no futuro próximo nos dirão muito mais sobre Marte. Quem sabe, esse planeta pode ser o próximo lar da humanidade, disse Arthur C. ClarkeO escritor inglês de novelas de ficção científica como 2001, Uma Odisséia no Espaço, Arthur C. Clarke, 79 anos, é mais um dos que acreditam na existência de vida no planeta Marte. O escritor disse que os dados que estão sendo enviados à Terra pela sonda norte-americana Pathfinder apóiam a teoria de que pode haver vida no Planeta Vermelho.
A evidência de que houve correntes de água no passado é um elemento-chave para apoiar a teoria de que pode haver vida em Marte, falou Clarke. Cada vez mais, parece claro que as condições em Marte há um bilhão de anos haviam sido favoráveis para a vida, disse o autor de contos de ficção científica e livros científicos sobre as possibilidades de vida fora do planeta Terra.
Cientistas americanos disseram que a área em redor da zona de aterrisagem da sonda Pathfinder em Marte foi assolada por inundações devastadoras, há milhões de anos. Utilizando fotografias enviadas pela Pathfinder, os cientistas disseram que as inundações nos arredores da depressão de Ares Vallis foram de dimensões similares às que criaram o Mar Mediterrâneo.
Michael Malin, um dos cientistas, especulou que as inundações afetaram centenas de milhares de quilômetros, que fizeram a água fluir à razão de um milhão de metros cúbicos por segundo. Uma inundação comparável na Terra poderia ser a que encheu a bacia do Mediterrâneo, declarou o cientista à imprensa.
Céu cor de salmão Evidência dessas inundações foi claramente visível no que os cientistas da Pathfinder descrevem como A Fachada Monstruosa, uma ampla vista panorâmica do pó vermelho que cobre a superfície marciana e um céu cor de salmão bastante extenso.
A Fachada é uma colagem de centenas de imagens enviadas à Terra pela Pathfinder, desde a aterrissagem em Marte.
Esta evidência de que houve água pode ser unicamente detectada pelo fato de que grandes rochas foram empurradas umas contra as outras, como se fossem arrastadas pela força de uma grande inundação, disse Malin.
O cientista considerou que a rugosidade das rochas foi formada por sais e sedimentos provenientes das águas, que desapareceram e deixaram resíduos. Um padrão similar de sedimetação pode ser visto em rochas do Havaí, que foram expelidas por atividade vulcânica, lembrou Maldin.
Os cientistas querem saber de onde essa água veio e o que aconteceu com o que acreditam ter sido uma atmosfera que um dia foi tão densa quanto a da Terra, mas que agora é muito mais rarefeita.
Um dos objetivos do programa de expedições a Marte, que enviará mais quatro naves que vão pousar em diversos pontos do planeta nos próximos oito anos, é descobrir se algum dia existiu vida no Planeta Vermelho, mesmo na forma mais primitiva.
Clarke, que escreveu sobre a possível colonização de Marte, disse que ainda que na atualidade as condições do Planeta Vermelho sejam muito hostis ao ser humano, poderão haver alguns oásis por ali contendo água.
Missões no futuro próximo nos dirão muito mais sobre Marte. Quem sabe, esse planeta pode ser o próximo lar da humanidade. O escritor britânico, que viveu no Sri Lanka durante os últimos 30 anos, disse que estava fascinado com o êxito da missão da sonda Pathfinder.


