Pesquisadores de Edimburgo, na Escócia, descobriram recentemente um prion ou PrP (proteína infecciosa) no apêndice de um paciente, que se acredita ser o responsável pela forma humana da doença da vaca louca. A retirada do apêndice ocorreu oito meses antes de os sintomas da doença aparecerem. A variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD), que parece ser a forma humana da encefalopatia espongiforme bovina (BSE ou doença da vaca louca), foi identificada em 1996. Até agora, tem sido impossível prever o número de futuros casos de vCJD porque a proporção da população exposta à alimentação com carne infectada com o prion é desconhecida. A nova descoberta pode indicar um caminho para se chegar a testes capazes de prever a doença.
A pesquisa de Edimburgo, publicada na revista The Lancet, descreve como um homem de 45 anos começou a apresentar dormência em 1996. Exames detalhados, incluindo ressonância magnética, levaram os médicos a suspeitar de esclerose múltipla. Nos 18 meses seguintes, sua saúde se deteriorou, mas os exames continuaram não revelando as causas. Em abril de 1998, foi feita uma biópsia no cérebro que revelou grandes quantidades do agente infeccioso da vCJD. Em 1995, entretanto, oito meses antes de os primeiros sintomas da doença aparecerem, o paciente havia extraído o apêndice, depois de passar dois dias com dores e febre. Na época, o órgão removido foi armazenado e, quando testado em 1998, também revelou grande quantidade da proteína PrP envolvida na vCJD.
Uma das implicações da identificação da PrP no apêndice durante o período da incubação da variante da CJD é que oferece a oportunidade de se investigar em grande escala a presença do agente infeccioso envolvido na doença a partir do material removido nas apendicectomias (extrações de apêndices) bem como do extraído em operações de amígdalas - estruturas removidas desde o início da epidemia de BSE. É rotina enviar os apêndices para exames histológicos e, em geral, guardá-los para estudos posteriores. Embora a incidência de pessoas expostas ao agente BSE possa ser pequena, aproximadamente 44 mil apendicectomias são feitas a cada ano na Inglaterra. Tal estudo forneceria novos dados sobre a proporção da população com risco de desenvolver a vCJD. Essas pesquisas poderiam esbarrar em um dilema: decidir se os pacientes submetidos à apendicectomia deveriam ser examinados e avisados em caso de o resultado ser positivo para a PrP.
Os pesquisadores avisam que o estudo não é conclusivo. ‘‘Se examinarmos 2 mil amostras e não encontrarmos nada, isso nos dará uma segurança muito limitada,’’ diz Peter Smith, da Escola de Medicina Tropical de Londres. Se uma ou duas amostras positivas forem encontradas no exame de mil amostras, isso indicaria que dezenas ou mesmo centenas de pessoas estariam infectadas, mas ainda não está claro quanto tempo levaria para os sintomas se desenvolverem. Também é possível que algumas pessoas cujos apêndices ou amígdalas apresentam o prion nunca venham a desenvolver a CJD.

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