Uma droga do futuro
Uma droga do futuro
O desenvolvimento da aspirina foi um marco na história da medicina, tendo estimulado a criação de uma família de drogas antiinflamatórias não esteroídicas (NSAIDs, do inglês non steroidal anti inflammatory drugs). Durante mais de 70 anos elas foram usadas terapeuticamente sem que se tivesse um claro entendimento de seu mecanismo de ação farmacológica. Em 1971, o farmacologista inglês John R. Vane (1927 ) descobriu que essas drogas reduzem a síntese de protaglandinas ao inibir a ação da enzima ciclooxigenase, abrindo caminho para numerosas investigações sobre o tema. hoje a inibição da síntese de prostaglandina é indiscutivelmente aceita como o mecanismo de ação responsável pelas propriedades analgésica, antiinflamatória e antipirética das NSAIDs, cujo mercado mundial movimenta por ano cerca de US$ 6 bilhões.
Recentemente, essas drogas têm tido cada vez mais novas indicações. Há, por exemplo, numerosos relatos sobre os efeitos benéficos de uma baixa dose de aspirina na profilaxia secundária e primária de doenças cardiovasculares (como derrame e infarto do miocárdio), graças à sua capacidade de inibir a síntese de tromboxana, prevenindo a formação de trombos no cérebro e coração, Cresce também a evidência de que aspirina e outras NSAIDs, quando usadas regularmente, podem ter papel importante na prevenção do câncer colorretal. Tal hipótese foi tema de recente avaliação apresentada por um grupo de trabalho à Agência Internacional para Pesquisas sobre o CÂncer, em Lyon, França.
As NSAIDs têm se mostrado eficientes também em novos nichos terap~euticos. Outra aplicação potencial dessas substâncias diz respeito à prevenção e ao tratamento da doença de Alzheimer e ao tratamento da esofagite de refluxo. Em revisão recente de 15 estudos publicados sobre o tema, 14 surgerem que o tratamento com drogas antiinflamatórias não esteroídicas previnem ou melhoram sintomas de Alzheimer. No caso da esofagite de refluxo, a associação de baixas doses das substâncias a um inibidor de acidez pode ter potentes propriedades curativas. Mas tais indícios requerem ainda novos estudos e observações até que as NSAIDs possam vir e ser prescritas visando à prevenção ou cura dessas doenças.





