Desde a primeira vez que um micro foi conectado a uma linha telefônica e fez a sua primeira transação on-line, uma grande preocupação vem tomando conta de todo mundo: como garantir que o ‘‘você-digital é o você-mesmo?’’ Aí, várias perguntas surgiram: o que deve fazer um site comercial para se proteger de usuários mal-intencionados? Como podem as administradoras de cartões de crédito evitar o uso fraudulento? E os bancos o que fazem para ter certeza de que o cliente do modem é o mesmo que conversa com o gerente?
‘‘Está na hora de usar na Internet os conceitos de credibilidade que já existem no mundo real,com todos os benefícios que isso traz’’ diz Marcio Liberbaum, diretor da Certisign, única empresa da América Latina presente na lista de autoridades certificadoras digitais homologadas pela Netscape e pela Microsoft.
Autoridade certificadora digital?! Conhecida também como CA (Certification Authority), ela é responsável pela sua identidade nas ondas da rede. Para fazer essa ‘‘ponte’’ entre a realidade virtual e o mundo real, a CA emite um documento, o ‘‘Certificado de Identidade Digital’’, com todos os cuidados legais. Instalado no seu micro, esse documento tem o mesmo efeito, no mundo virtual, da sua carteira de identidade.
A tecnologia permite segurança total e se baseia em criptografia de 128 bits. Ou seja, o número representa uma combinação de números e letras que nem 200 supercomputadores, trabalhando 24 horas por dia durante 20 anos, conseguiriam decifrar. A matemática é tão violenta que nem mesmo o governo americano, com todas as suas agências pode abrir uma mensagem o que explica a resistência dos legisladores americanos em homologar os 128 bits como padrão de criptografia no Tio Sam.
No Brasil, ainda sem legislação alguma (o projeto de lei no. 2.644, do deputado Jovair Arantes (PSDB-GO), propõe regulamentar apenas o óbvio), os procedimentos necessários para se obter um certificado são simples mas escondem uma verdadeira ‘‘engenharia’’ jurídica.
‘‘A validade de um documento digital se baseia na vinculação formal do certificado de autenticidade com um documento de comprovada idoneidade pública’’ diz José Henrique Moreira Lima Neto, diretor jurídido da Certisign e consultor em legislação na Internet. ‘‘A gente resolveu isso registrando em cartório o contrato entre a certificadora e o cliente. Nele está o número que faz a ligação entre a chave criptográfica e o documento legal’’.
As empresas americanas que expedem certificados de identidade digital ainda estão usando chaves baseadas num algoritmo de 40 bits, bem mais simples, mas nem por isso mais fáceis de quebrar. Só para se ter uma idéia: um mainframe, desses que ocupam uma sala, trabalhando durante uma semana, pode, teoricamente, quebrar uma chave de 40 bits. Mas, quem, em sã consciência, se dispõe a usar um mainframe durante uma semana, para abrir um simples e-mail?!
‘‘São poucas as instituições que podem fazer isso’’ atesta Libenbaum. ‘‘Em menor número ainda estão as que podem fazê-lo sem chamar atenção, o que faz das chaves de 40 bits instrumentos bastante confiáveis para criptografar comunicações eletrônicas.

mockup