O streaming foi considerado, em um relatório sobre música digital produzido pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), um serviço de alto potencial para o comércio de música. Em 2013, o faturamento destes serviços – que permitem ouvir músicas de todo o catálogo disponível de forma on-line e em tempo real mediante pagamento de uma assinatura mensal - cresceu 51,3%. O número de usuários passa dos 28 milhões em todo o mundo.
A partir do final de 2012, serviços de streaming de renome no exterior como Deezer e Spotify desembarcaram no Brasil. Na época, a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) avaliou que esse movimento tinha grande potencial para alavancar o segmento. A associação não produziu um novo estudo. Em 2012, as assinaturas para streaming de música representavam 25,3% do mercado digital de música, perdendo apenas para o streaming de vídeos musicais remunerado por publicidade (como o YouTube).
Para o DJ Leandro Santos, de Londrina, os serviços de streaming de música trazem a vantagem de poder contar com playlists e rádios organizadas por curadores especializados para diversos estilos. Além disso, é possível ter acesso a músicas de variados artistas e a sugestões de acordo com o gosto do usuário. "Dentro da nossa cultura, a gente não consegue seguir um artista só. (Nos serviços de streaming) A gente acaba fuçando ou buscando indicações de nosso interesse." Outra vantagem, segundo ele, é poder ouvir as músicas preferidas de qualquer lugar. "O streaming é o futuro para o consumo doméstico de música, agora que temos um smartphone no bolso e a internet está cada vez com melhor velocidade."
"Associada à questão da mobilidade, a indústria musical busca cada vez mais conveniência e comodidade. Multiplataformas é a solução para quem gosta de música", declara Fabiano Fenelon, gerente sênior de Inovação da GVT. A empresa de telefonia entrou no segmento de streaming neste início de ano com o GVTMusic, oferecido nesta primeira etapa apenas a assinantes pelo preço de R$ 9,90.
O serviço inicia as atividades com um acervo de quatro milhões de músicas. "Com esse volume, temos 90% do catálogo relevante, com o que o público procura. Muitas empresas dizem que têm milhões de músicas mas de muitos artistas que nunca ninguém deu o ‘play’ no Brasil." Em meio a um mercado já competitivo, a empresa aposta na curadoria especializada e também na oferta de shows e clipes inéditos todos os meses. "É uma coisa que a concorrência não tem." A expectativa é que o serviço seja aberto a não assinantes ainda este ano, porém, a um preço menos competitivo, afirma Fenelon.
O acesso a músicas foi apenas o ponto de partida. Agora, os serviços de streaming também passam a oferecer mais recursos para que os usuários possam interagir melhor com o seu extenso catálogo.
Desde que iniciou suas operações no Brasil, por exemplo, a francesa Deezer passou por várias mudanças, como a adição de recursos como o "Lyrics". "É um recurso que permite aos usuários acompanhar as letras das músicas enquanto elas são reproduzidas", explica Mathieu Le Roux, porta-voz da empresa para a América Latina. Este mês o serviço também relembrou as famosas "mixtapes", coletâneas de músicas que eram gravadas em fitas cassetes, e lançou um app que permite criar uma playlist que lembram momentos especiais e enviar para um amigo, familiar ou pessoa amada.

Curadoria
A sueca Spotify, que chegou ao Brasil em maio do ano passado, aposta na disponibilização de playlists diárias criadas pelos seus curadores em sua plataforma. "Muitas coisas têm acontecido para o Spotify desde que chegamos aqui no Brasil. Um exemplo disso são as playlists quase diárias que criamos para os nossos usuários baseado em seus gostos, no que é tendência e nos assuntos mais comentados por aqui", declara Gustavo Diament, diretor geral do Spotify para a América Latina. No ano passado, o Spotify também teve playlists de músicas selecionadas por artistas famosos.

mockup