Família que se informatiza unida permanece unida. O tradicional dito popular, adaptado para a ocasião, nunca pareceu tão atual. Com a inserção definitiva da informática em atividades diárias básicas, o micro chegou em casa para ficar. Essencial para as funções domésticas, seja no armazenamento de dados, seja como opção de lazer, o computador virou equipamento fundamental para as necessidades das famílias.
Diante da diversidade de modelos e variações de preços que existem no mercado, decidir qual é o micro ideal para cada família é um exercício que exige, no mínimo, paciência para empreender uma longa pesquisa de modelos e preços. O professor de computação do Centro Politécnico da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, Paulo Ricardo Torres Diniz, 31 anos, considera três tipos de família, cada uma com necessidades diferentes na hora de se adquirir o computador.
Um casal sem filhos, segundo Diniz, vai estar satisfeito se optar por um modelo com processador AMD K6, de 533 MHz, com tecnologia 3D, disco rígido 13 GB, monitor de 15 polegadas, memória RAM 64 MB, com placa de modem 56 K, suporte para telefone gratuito, software Windows 98 e Microsoft Word 2000. Dependendo das possibilidades, o casal pode escolher o modelo que inclui DVD e câmera de vídeo. Em uma loja de eletro-eletrônicos de Londrina, um computador com essas características pode ser encontrado por R$ 6 mil. Bem mais barato, o mesmo modelo com DVD, mas sem a câmera de vídeo, sai por R$ 2.499. O preço cai um pouco se o casal comprar o modelo somente com CD, que vai custar R$ 1.799.
‘‘O computador é o mesmo, o que muda são os acessórios. Tendo o DVD o casal vai ter uma qualidade de imagem e som bem superiores ao vídeocassete’’, explica Diniz. Com relação aos casais com filhos pequenos, Diniz recomenda um modelo com as mesmas características, mas que tenha CD e multimídia com microfone. ‘‘Ouvir a própria voz é agradável para as crianças’’, acrescenta. O manuseio do mouse, segundo Diniz, estimula a coordenação motora fina, principalmente durante os primeiros anos de vida. ‘‘O adulto tem mais dificuldade para lidar com o mouse porque já tem o controle motor moldado’’, analisa Diniz.
Um micro de 533 MHz é suficiente para acoplar jogos sofisticados, uma unanimidade entre as crianças, e demais softwares. Diniz alerta os pais para os jogos que incitam à violência: ‘‘Quando os filhos são de pouca idade fica mais fácil para os pais controlarem os jogos. Mas em qualquer idade os pais devem oferecer jogos educativos, que incentivem o lado lúdico’’, explica Diniz.
Para a casal que tenha filhos adolescentes o ideal seria um modelo de 600 MHz, que vai proporcionar mais velocidade na hora de se navegar pela internet, a coqueluche do momento entre os jovens. A tecnologia avançada dos modelos vai trazer apenas uma dificuldade: ter um só dentro de casa. Administrar o tempo de uso, nessa hora, é papel dos pais. ‘‘Ter ou não mais de um computador depende de recursos financeiros, mas os pais devem impor limites e estabelecer regras para a utilização’’, ressalta Diniz.
Na análise do professor, a raiz familiar é imprescindível no momento de separar as informações, principalmente quando o assunto é internet. ‘‘Comprar um computador requer avaliação por parte do casal. Psicologia, educação, formação familiar, tudo isso está interligado à pessoa que vai usar a máquina’’, acrescenta. Segundo Diniz, é comum ouvir que ‘‘o computador surgiu para resolver problemas que o homem não tinha antes’’. Contudo, não se deve esquecer que a máquina contém informações inseridas ali pelo próprio homem. ‘‘Mais do que nunca, pais que compram micros para os filhos devem deixar claro as diferenças do mundo virtual da realidade’’, ressalta.
Os jovens e as crianças são movidos pela curiosidade e aprendem com mais rapidez a lidar com todos os recursos do computador. ‘‘O mesmo não acontece com o adulto, que tem medo que sua vida pessoal, bancária, sua intimidade sejam descobertas’’, analisa Diniz. O adulto, de acordo com Diniz, aprende por necessidade e utiliza o micro como uma ferramenta. ‘‘No fundo, a resistência do adulto se deve ao receio de que a máquina diga que ele está errado’’. Conforme o professor, alguns técnicos, sabendo do temor do adulto pela máquina, criam mais desinformação quando vão prestar assistência. ‘‘Termos incompreensíveis causam a relutância do adulto na hora de utilizar o computador’’, assegura Diniz.
A logística da informática trabalha com lançamentos de hardware (máquina) e software (programa) programados durante o ano, fazendo com que o consumidor considere obsoleto o micro que tem em casa. Para Diniz, o casal deve avaliar se o modelo que possui serve às necessidades que tem. ‘‘Existem computadores custando algo em torno de R$ 15 mil, que de nada serviria se não fossem usados todos os recursos existentes’’, completa.

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