Um intruso no sistema
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de outubro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Ameaça constante. Esta é a sensação enfrentada pelos usuários de computador diante das dezenas de vírus que são criadas e espalhadas diariamente pela rede no mundo. Embora as armas contra este incômodo os antivírus , sejam constantemente aperfeiçoadas, a todo tempo tem gente perdendo arquivos e horas de trabalho com os estragos feitos pelos indesejáveis programas.
Entre os vírus mais complexos, o mais recente é o MDK, que apareceu em Londrina no início do mês e já rendeu muito trabalho para os técnicos de informática. Impiedoso, o vírus vem atachado num e-mail e danifica todos os arquivos detectáveis na máquina, bloqueando-a. Como ainda não há vacina para o MDK, a solução encontrada pelos técnicos tem sido tentar salvar o máximo possível de arquivos, transferindo-os para outra máquina e voltando a instalá-los no computador do cliente.
Mas quem são os responsáveis por estes programas que dão tanta dor de cabeça a quem depende da informática? Segundo o bacharel em ciências da computação e participante do Projeto Genesis/GeNorP da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Alexandre Rômolo Moreira Feitosa, a maioria dos criadores de vírus são estudantes da área de informática que querem testar ou mesmo brincar com seus conhecimentos. Quando a idéia é prejudicar alguém ou uma empresa, são feitos ataques direcionados a uma máquina específica. No caso do vírus, informa ele, não se tem controle de quem será atacado.
A principal porta de entrada dos temidos programas que se reproduzem por conta própria, sem a permissão do usuário é a Internet. Através dela, os vírus se reproduzem rapidamente e não se limitam a algumas regiões, como nos tempos do disquete. Por outro lado, porém, a Internet também permite rastrear o vírus com maior facilidade, chegando até a máquina que o distribuiu, diz Alexandre Feitosa, lembrando que o criador do vírus ILOVEYOU, tão conhecido por aqui, foi localizado em uma faculdade nas Filipinas.
De acordo com Feitosa, existem basicamente três tipos de vírus: os executáveis, que aparecem na forma de programas; os de macro, que são instruções que só rodam em alguns aplicativos e são os mais comuns, passados via arquivos; e os chamados cavalos de tróia, que são programas criados especificamente para danificar ou ter acesso à máquina do usuário. Estes últimos são considerados os mais perigosos e mais difíceis de ser criados.
Os antivírus são a principal forma de prevenir o problema. Mesmo assim, a mais recente atualização detecta o vírus mas não o remove 100%, pois ele sofre mutações dentro da máquina. Outro agravante é que poucos usuários utilizam as vacinas e as atualizam com a frequência necessária. O ideal é que o antivírus seja instalado de forma que fique em constante execução, monitorando o sistema para que o vírus seja identificado e eliminado antes mesmo de ser instalado, recomenda Alexandre Feitosa. Produzir cópias de segurança dos principais arquivos, gravando-os em CD Room ou disquete é outro cuidado importante.
O especialista também aconselha que o internauta esteja sempre atento a quem enviou o e-mail, para ver se é pessoa conhecida, e evitar abrir arquivo atachado sem descrição. Por fim, não esquecer nunca de passar o antivírus nos arquivos recebidos, caso ele não fique em constante execução. Existem antivírus disponíveis na Internet que são uma boa opção. É possível utilizá-los gratuitamente por período que varia de 30 a 90 dias, na versão trial.
Os cookies são outra grande preocupação de quem usa a Internet hoje. São programas que capturam informações do usuário enquanto ele navega. O ideal é utilizar navegadores mais recentes e antivírus com suporte à internet, que avisam o usuário sempre que forem pedidas informações pessoais, diz Alexandre Feitosa.


