Em setembro de 1998, um celacanto foi pescado na Indonésia. Até então, se acreditava que esse peixe ‘‘pré-histórico’’ havia sobrevivido apenas a Oeste do Oceano Índico, segundo anunciou a revista Nature.
O celacanto era uma espécie considerada desaparecida há 60 milhões até que, em 1938, a ciência descobriu um exemplar capturado por um pesqueiro nas águas da África do Sul (ver texto nesta página).
Até essa data só eram conhecidos fósseis do celacanto. Desde então, foram capturados duzentos exemplares, todos eles nas Ilhas Comores, com exceção de três pescados recentemente, dois em Madagascar e um em Moçambique.
Em julho passado, um barco indonésio pescou um celacanto em águas da ilha de Manado Tua, no Norte das Celebes, a 10.000 km de distância das Comores.
Mark Erdmann, pesquisador da Universidade da Califórnia, em Berkeley, conseguiu observá-lo vivo durante três horas e analisar amostras de seu tecido. ‘‘Por seu aspecto e tamanho, de 124 cm de cumprimento e 29,2 kg de peso, pertence seguramente à mesma espécie que os de Comores, apesar de apresenta uma diferença de cor. O da Indonésia é pardo, quando os outros são de cor azul metálico. Tem manchas brancas e vários pontos dourados’’.
A pesca é considerada ‘‘milagrosa’’ apenas para a ciência, já que os pescadores indonésios conhecem o ‘‘raja laut’’ (rei dos mares), assim como os comorenses. Para os pesquisadores, no entanto, se trata de uma descoberta importante, pois os celacantos parecem menos escassos do que se acreditava.
Hans Fricke, do Instituto Max-Planck de Seewiesen (Alemanha), que estuda a espécie há anos em seu único habitat conhecido, as grutas submarinas dos Comores entre 120 e 190 metros de profundidade, advertiu sobre os riscos de extinção depois de constatar, em 1994, que em quatro anos o número de exemplares reduziu-se muito passando de 20,5 a 6,5 em média por gruta.

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