Turismo pode crescer 25% até 2004
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
O grande desafio da Secretaria da Indústria do Comércio e do Turismo do Paraná é aumentar em 25% o fluxo de turistas no Estado, passando dos 4 milhões atuais para 5 milhões de visitantes até 2004. Outro ponto crítico é ampliar a taxa de permanência destas pessoas. Hoje, um turista fica, em média, dois dias e meio no Estado, quando a meta para os próximos dois anos é fazer com que permaneça até quatro dias.
Para conseguir estes resultados, a Paraná Turismo (autarquia da Secretaria de Turismo, empresa pública de administração indireta do Estado) vem atuando em várias frentes. Em centros turísticos como Curitiba, Foz do Iguaçu e mesmo em grandes cidades com menos apelo turístico como Londrina, Maringá e Cascavel, a ação prioritária é criar infra-estrutura adequada para atrair o chamado turismo de negócio ou de eventos. Em outros locais como o litoral e áreas ecológicas, o incentivo dirige-se às iniciativas para o chamado turismo de aventura.
De acordo com o diretor de marketing da Paraná Turismo, Aldo Carvalho, no ano passado os 4,1 milhão de visitantes gastaram no Paraná cerca de US$ 554 milhões. Estes números baseiam-se no gasto médio diário dos turistas. Em lazer, seus gastos são de US$ 47 chegando a até US$ 150 no caso dos turistas de negócios ou de eventos.
O presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagem Seção Paraná (Abav/PR), Antonio Azevedo, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Paraná (Abih/PR), Hercílio Struck, são unânimes ao afirmar as boas condições de estrutura para receber os turistas, principalmente em Curitiba e Foz do Iguaçu.
Cada cidade tem cerca de 120 hotéis cadastrados entre duas e cinco estrelas. Azevedo ressalta ainda um conjunto de referências que atrai o visitante a Curitiba como a qualidade e variedade na gastronomia, eficiência no transporte, trânsito ainda sem grandes engarrafamentos e mão-de-obra qualificada.
Apesar destas referências, Struck reclama da falta de turistas nos finais de semana. A taxa de ocupação dos hotéis fica entre 60 a 80% dos dias de semana quando as pessoas vêm fazer negócios, mas cai pela metade nos finais de semana, diz.
Para ele, uma ação conjunta entre governo do Estado, prefeitura e entidades de classe deveria criar situações que atraíssem os turistas para o Estado. O Paraná tem potencial, mas precisa aprender a explorar o turismo com o frio, a calma do carnaval e o natal iluminado em Curitiba, as viagens ecológicas ao litoral e região metropolitana, diz.
Para Azevedo, a parte mais vulnerável de Curitiba é a falta de um Centro de Convenções adequado à qualidade da cidade. Neste sentido, já foram criados tanto em Curitiba quanto em Foz do Iguaçu o que se chama de Convention Bureau, normalmente formado em forma de cooperativa de empresários, cuja principal função é a captação de eventos.
É preciso criar diferenciais, diz, lembrando que a Abav/PR tem um programa chamado Curitiba Downtown, que prevê a criação de um eixo de animação na Rua Barão do Rio Branco, no centro da cidade. A intenção é aproveitar sua proximidade com o Centro de Convenções, com o Estação Plaza, a facilidade de transportes e criar locais para a vida noturna também, diz Azevedo.
A Paraná Turismo também tem planos para reformar o atual Centro de Convenções, anexando obras no terreno em frente ao local. Mas, a expectativa de Carvalho é que o turismo ganhe bastante incentivo com o Programa de Desenvolvimento de Turismo para a Região Sul (Prodetur-Sul), desenvolvido pelo governo federal com empréstimos do Bird. Ele não sabe precisar os investimentos aprovados, mas estão previstos recursos a partir do final do ano para projetos de infra-estrutura, como construção de estradas, de aeroportos e de sinalização. A perspectiva de crescimento do turismo vai estar muito ligada a esse programa, diz.


