As propriedades terapêuticas e afrodisíacas da cartilagem de tubarão são secularmente conhecidas na China e no Japão, onde são consumidas grandes quantidades de barbatanas. Concentrando-se nas propriedades terapêuticas e deixando de lado o mito das propriedades afrodisíacas, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) (http://elis.upd.ufc.br/ufcframe.htm) acabaram desenvolvendo um remédio natural, feito de cartilagem de tubarão em pó. O remédio chama-se Selachii, o nome científico da ordem dos tubarões, e é produzido por uma empresa de mesmo nome, incubada no Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) (http://www.ufc.br/padetec/index.htm). O produto comercial já tem patente requerida no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, INPI.
O interesse do pesquisador José Wilson de Alencar, da UFC, pela cartilagem de tubarão nasceu da necessidade de um amigo, recém operado de câncer na próstata e vivendo à base de morfina. ‘‘Importamos a cartilagem dos Estados Unidos e, com a melhora deste amigo, passamos a estudar sua composição, verificando que as espécies de cação e tubarão da nossa costa tinham uma composição muito semelhante’’, conta Alencar. O remédio deu ao amigo uma sobrevida de dois anos, com significativa melhora na qualidade de vida: ele deixou de tomar morfina e voltou até a dirigir. Alencar desenvolveu, então, um processo de produção da cartilagem, envolvendo congelamento, retirada do excesso de carne, esterilização a temperaturas de 50ºC a 60ºC com raios infravermelhos e ultravioleta, trituação, pulverização e encapsulamento.
Testes O remédio é indicado contra enfermidades relacionadas a angiogênese (formação de vasos): diversos tipos de câncer, artrose, artrite, psoríase, retinopatia diabética e glaucoma neovascular. A cartilagem tem um oligopolissacarídeo - o sulfato de condroetina - que inibe a angiogênese e funciona como analgésico e anti-inflamatório nestes casos. Mas há contra-indicações, para as pessoas que necessitam da angiogênese, como mulheres grávidas, crianças, pacientes em fase pós-operatória e com qualquer tipo de agressão vascular (cortes ou lesões).
No Hospital Universitário Walter Cantídio, da UFC, foram feitos os testes de toxicologia clínica, com 24 voluntários sadios, durante quatro semanas. Não foi observado nenhum efeito colateral. Nos Estados Unidos, o Food and Drugs Administration (FDA), está iniciando uma série de testes em pacientes terminais de câncer, para avaliar a eficiência da cartilagem e aprovar ou não o remédio, oficialmente.
Além de inibir a angiogênese, ‘‘por seu alto teor de carbonato de cálcio, a cartilagem de tubarão também serve para controlar osteoporose’’, acrescenta Alencar. A mesma empresa que produz o Selachii, incubada na UFC, está terminando os estudos para patentear um remédio à base de pó de ostras, também para a osteoporose. ‘‘A vantagem do pó de ostras é seu grau de pureza’’, explica o pesquisador. As ostras são constituídas de mais de 90% de carbonato de cálcio, sem impurezas comumente misturadas ao cálcio mineral.
Maiores informações com José Wilson de Alencar, através do telefone (085) 288.9983 ou no endereço padetecufc.br.

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