Tristeza crônica não é frescura
A depressão parece ser um fio tênue entre vida e morte. A dona de casa Sandra (nome fictício) sofreu 2 anos com uma depressão profunda. No início, segundo ela, a principal dificuldade foi identificar o problema. Eu estava negativa, não conseguia comer e cheguei a achar que estava grávida, embora já tivesse operado para não ter mais filhos. Os médicos também não ajudaram muito na detecção da doença. Passei por dois clínicos gerais e um gastro até que o último afirmou que o meu problema era depressão, recorda.
A segunda barreira quase natural de quem sofre de depressão é o falta de conhecimento e o preconceito em relação à doença. Segundo, o psiquiatra Heber Odebrechet Vargas, a família pode assumir um papel determinante para o reestabelecimento do doente.A família tem que entender que a pessoa não é assim, mas está assim, afirma. A maioria das vezes, os familiares percorrem o caminho inverso chegando a achar que os sintomas da depressão são fraqueza de caráter ou frescura. A falta de sensilibidade agrava o problema, lembra a psicoterapeuta Marilu da Silva Stock.
No caso de Sandra, os sintomas se agravaram de tal forma que a dona de casa praticamente parou de executar qualquer atividade. Achava que estava ficando louca e queria ser internada. Nessa fase a compreensão da minha família foi fundamental. Eles me davam força para continuar viver, conta. O medo de ficar louco é, segundo a doutora Marilu, um perigoso fator que pode contribuir para o suicídio. O suicídio surge como uma saída para o sofrimento, alerta. De acordo com o doutor Heber, 15% dos depressivos podem se suicidar. Em geral essas pessoas dão sinais do que pretendem, diz.
A história de Sandra tem, aparentemente, final feliz. A paciente passou por um longo tratamento com antidepressivos e hoje se diz curada. Eu queria sair daquela situação e consegui, comemora. A doutora Marilu concorda que força de vontade é importante mas não cura a depressão. Depressão tem que ser tratada como doença, com medicamentos, declara. O conhecimento em relação a este problema, segundo ela, facilita o diagnóstico e o tratamento. (D.B.)





