Rodrigo Teixeira
TV Press,
Do Rio
Existem atualmente, segundo o Ibope, quatro milhões de internautas no Brasil - quase um milhão e meio a mais do que os assinantes de tevê a cabo. Essa simples conta ajudou a aumentar a onda de produções que utilizam a Internet na tevê. Quem já usa a rede mundial na televisão não quer voltar atrás e a maioria das novas produções das emissoras dedica espaço à Internet. Isso vai desde programas de debates esportivos, como o ‘‘Super-Técnico’’, da Band, telejornais, como o ‘‘Fala Brasil’’, da Record, e programas de auditório, como o ‘‘H’’, da Band. ‘‘Ao assumir o ‘H’, sabia que precisava utilizar a Internet. É uma ferramenta que não pode mais faltar, principalmente em um programa dirigido aos jovens’’, acredita Otaviano Costa, novo apresentador do programa.
Além do quadro ‘‘WWW’’, que dá dicas de sites da Internet, o ‘‘H’’ tem um chat (sala de bate-papo na Rede), que funciona ao vivo com 20 pessoas. ‘‘Ficam mais de 300 internautas esperando para entrar na conversa durante o programa’’, espanta-se Maria Amorim, responsável pela condução das conversas no chat do ‘‘H’’. O que fica evidente é que a representatividade de quem consegue interagir com os programas é muito pequena. Visto por este lado, fica a impressão de que a Internet é muitas vezes sinônimo de marketing para os programas ou apresentadores passarem uma imagem de modernidade.
Este pode ser o caso de Milton Neves, apresentador do ‘‘Super-Técnico’’, na Band. O programa recebe nove mil e-mails por semana. Os espectadores dão sugestões de possíveis entrevistados, reclamam da ausência de alguns técnicos e fazem inevitáveis elogios à produção. O problema é que o apresentador só responde a uma média de quatro e-mails durante o ‘‘Super-Técnico’’, número totalmente inexpressivo diante dos nove mil que ele recebe. ‘‘Só respondo aos e-mails de espectadores que fazem críticas. Elogio não acrescenta nada’’, admite Milton Neves. O mesmo acontece com Jô Soares, que recebe uma média de quatro mil e-mails por semana e responde, no máximo, a uma dezena durante o seu programa diário no SBT.
Mas a Internet também pode ser vista como um forma de se conseguir informações de difícil acesso ou imagens inéditas. O ‘‘Fala Brasil’’, da Record, conseguiu maior audiência durante o eclipse de agosto, quando mostrou o fenômeno ao vivo de diversos países pela Internet. O telejornal matinal da Record bateu os 11 pontos de audiência, número alto para o horário. A apresentadora do ‘‘Fala Brasil’’, Rosana Hermann, utilizou também o depoimento pela Internet de um brasileiro que estava no terremoto da Turquia, em setembro. ‘‘A informação ganha uma dimensão humana. Alguém que está envolvido com a notícia e não é imparcial como o repórter’’, compara a jornalista.
O fato de conseguir depoimentos pela Internet, muitas vezes de dentro de um campo de batalha, também fascina Marcelo Tas. O apresentador do ‘‘Vitrine’’, da Rede Pública de Televisão, adorou ter colocado no ar um menino que viveu os combates em Belgrado, na Iugoslávia. Para ele, nestes casos a informação pode ser mais precisa se comparada com uma cobertura feita pela emissora americana CNN, por exemplo. ‘‘O garoto tem mais embasamento do tamanho da tragédia, pois é a própria vítima’’, argumenta Marcelo.
A possibilidade de conseguir tanto a imagem como o depoimento do internauta através de uma pequena câmara instalada no computador é utilizada pelo ‘‘Observatório da Imprensa’’, da Rede Pública de Televisão. O programa, ancorado por Alberto Dines, sempre conta com a presença de um estudante de jornalismo através da Internet, num posto fixo na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. ‘‘É uma forma de democratizar o acesso do público na tev꒒, analisa Dines. A verdade é que até mesmo produções que não estão no ar já tentam vincular o nome a Internet. É o caso da Rede TV!, que deve estrear a programação em novembro. O objetivo é exibir três jornais diários, transmitidos também na Internet em tempo real. Prova de que a rede mundial tem mil e uma utilidades. ‘‘Hoje não se pode fazer nada na tevê sem levar em consideração a Internet’’, garante Amilcare Dallevo Júnior, sócio da Rede TV!.

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