Testes desvendam crimes e determinam paternidade
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Kraw PenasSalmo Raskin: equipamentos importados garantem segurança aos testesEm Curitiba funciona um dos laboratórios mais equipados na elaboração de testes de DNA do Sul do Brasil. Trata-se do laboratório Genetika, que funciona há quatro anos e é especializado nas três linhas de investigação: a de paternidade e doenças; de citogenética, que diagnostica os problemas do feto durante a gravidez; e de genética bioquímica, que testa a possibilidade de se ter uma criança excepcional. Outros dois laboratórios com equipamentos semelhantes no País estão localizados em Belo Horizonte e São Paulo.
Os testes mais procurados no laboratório Genetika ainda são o de investigação de paternidade, sendo que 30% das solitações vêm por pedido judicial e 70% de laboratórios conveniados. São aproximadamente 70 solicitações mensais que chegam através de pedidos individuais ou pelo convênio com 250 laboratórios de análises clínicas que o Genetika firmou em todo País. Só este ano já foram feitos 355 testes de DNA para investigação de paternidade, contabilizou o proprietário Salmo Raskin, médico pediatra formado pela Universidade Federal do Paraná, com especialização em Genética Clínica e Molecular pela Universidade de Vanderbilt (EUA).
Os testes custam R$ 1.400,00 para o trio mãe, criança e suposto pai, sendo que esse valor pode ser parcelado em 18 vezes de R$ 146,45 fixas. Raskin justifica que utiliza equipamentos importados de última geração e todos os reagentes são importados, o que permite uma margem de segurança de 100%.
Outros casos desvendados com o teste de paternidade referem-se à troca de crianças ainda na maternidade. Raskin conta que recentemente confirmou a troca de crianças num hospital, mas não quis revelar o nome do estabelecimento.
GravidezAlém dos testes de investigação de paternidade, estão crescendo muito as solicitações de gestantes preocupadas com problemas durante a gravidez. Segundo Raskin, há três anos esses testes representavam 10% das solicitações e atualmente já são 30% dos testes de DNA feitos no laboratório. Isso porque as mulheres estão tendo filhos mais tarde e aumentam as chances de as crianças nascerem com doenças congênitas, justificou. Para se ter uma idéia hoje os testes de DNA podem diagnosticar precocemente cerca de 8 mil doenças de origem genética.
Os testes de DNA também podem ser empregados para desvendar a cena de um crime, explicou Salmo Raskin. Segundo ele, detalhes como uma gota de sangue, saliva ou um fio de cabelo com raiz contêm DNA e concentram informações importantes para esclarecer as características de um crime com 100% de acerto.
Recentemente os testes de DNA também vêm sendo usados para detectar precocemente doenças infecciosas como AIDS e hepatite. Isso porque o vírus da AIDS, por exemplo, demora três meses para criar o anticorpo no organismo, sendo que os testes normais só detectam os anticorpos. Portanto, nesse período que a doença fica escondida dos testes normais, a pessoa pode doar sangue já contaminado ou então praticar outras formas de contaminação através do sexo sem proteção ou compartilhando a mesma seringa no uso de drogas, argumentou. Já os testes de DNA detectam a doença até no dia da contaminação, garantiu.


