‘‘A informática permite que o Estado e a sociedade alcancem um melhor nível de comunicação.’’ Convencido disso, o economista e professor universitário de Curitiba, Maurício Stunitz Cruz, desenvolveu uma pesquisa que sustentasse a afirmação e acabou compondo uma dissertação de mestrado sobre o tema da informática a serviço do cidadão.
Ele não nega que o assunto é amplo e suscetível a discussões. ‘‘A internet pode ser uma faca de dois gumes. Por um lado, é vista como mais um outdoor para políticos. Mas também serve como um importante canal para que se crie uma democracia eletrônica’’, reflete, lembrando que a rede é um instrumento novo e as pessoas ainda estão descobrindo como melhor utilizá-lo.
No Brasil, o uso da informática no exercício da democracia ainda pode ser considerado apenas uma idéia baseada na realidade que começa a fazer parte da política de países do primeiro mundo. Como o nível de acesso à internet no País ainda é pequeno, as discussões promovidas na rede com participação popular dificilmente tomam corpo. ‘‘A prática de fóruns só terá efetividade do ponto de vista democrático quando se multiplicarem em muitas vezes o número de pontos de acesso’’, esclareceu.
Mas as experiências de uso da tecnologia para expressar a opinião popular e os planos do governo não são inéditas para os brasileiros. ‘‘Em muitas cidades, como Porto Alegre (RS) e Santo André (SP), as prefeituras promovem discussões pela rede’’, contou. Curitiba pôde avaliar as propostas da nova lei de zoneamento, apresentadas na internet no ano passado.
Essas inciativas comprovam que a democracia virtual é tecnicamente possível de ser praticada. ‘‘Basta que exista vontade política e que a sociedade perceba que pode utilizar a internet para monitorar o governo.’’ Maurício acredita que a abertura para a opinião popular pode ser mais bem sucedida quando os problemas em questão são de responsabilidade de políticas locais. ‘‘Não adianta colocar em discussão problemas complexos como a dívida externa. A democracia eletrônica só funciona bem em nível local.’’
Enquanto a sociedade não utiliza os teclados do computador para se comunicar com os governantes, o Estado apresenta-se aberto às possibilidades alcançadas com a informática. Boa parte dos serviços públicos já estão disponibilizados na internet.
O governo federal tem a meta de fazer com que 100% de seus órgãos atendam o público pelo meio eletrônico até o fim deste mandato. O Estado do Paraná garante que 70% dos serviços públicos do Estado estarão disponíveis na rede até 2002. ‘‘Isso significa que todas as esferas do governo estão mostrando percepção do potencial da utilização da tecnologia’’, afirma o economista.

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