Terrorismo cibernético
Terrorismo cibernético
Carlos Alberto Teixeira
Um pesquisador chamado Barry C. Collin, do Institute for Security and Intelligence (ISI), dedica-se há tempos ao estudo do ciberterrorismo, termo cunhado há cerca de dez anos. Segundo ele, as motivações do terrorismo continuam as mesmas, mas sua face está mudando. Os sistemas táticos e de inteligência que serviam bem no combate ao terrorismo tradicional não funcionam diante dessas novas e devastadoras ameaças digitais, que nos atacam em nosso ponto mais vulnerável: a área de convergência entre o mundo real e o virtual.
A escalada do virtual rumo ao real é calcada em três necessidades: a ânsia pelo acesso universal às informações; a necessidade de administrar recursos remotamente; e a sede insaciável pela aquisição de novas informações. Na medida em que as tarefas e os processos vão sendo computadorizados nesse ritmo alucinante, vamos nos tornando mais confiantes e dependentes dessa região de convergência, que pode ser identificada com exemplos simples em nosso dia-a-dia. Mas a tecnologia está presente de forma muito mais pesada em nossa realidade: indústria farmacêutica e de alimentos; sistemas de eletricidade, gás e telecomunicações; controle de tráfego e equipamentos militares.
Para se aproximar cada vez mais do mundo físico, a realidade virtual usa quatro veículos: transmissão, conexão, agregação e recuperação. Nesse ambiente, o ciberterrorista pode agir a milhares de quilômetros de distância, atuando sobre os meios de informação através da destruição, da alteração ou do roubo e também da posterior retransmissão de dados.
Os famosos crackers, gente que penetra em sistemas por simples brincadeira, anarquia ou exibicionismo, não são propriamente ciberterroristas, mas sim meros amadores ou aprendizes. Há exemplos de ataques digitais que poderiam ser terrivelmente destruidores, como uma invasão remota do sistema de processamento de uma fábrica de cereais, alterando as quantidades de minerais na mistura, fazendo adoecerem ou mesmo morrerem milhares de crianças que consumissem o lote alterado. Um outro ataque poderia ser feito com bombas espalhadas numa cidade, cada uma transmitindo continuamente para as outras um código numérico criptografado. No momento em que uma delas interrompesse a sequência, todas detonariam. Imagine agora uma ação bem elaborada contra um sistema de controle de tráfego aéreo num grande aeroporto. Seria um deus-nos-acuda com um monte de aviões batendo em pleno ar. Pense também em algum grupo ciberterrorista que tivesse interesse em alterar as fórmulas de remédios em fábricas farmacêuticas.
O sistema financeiro poderia ser o alvo mais sério de uma ação devastadora bem planejada, especialmente nestes tempos de globalização. Um ataque fulminante às transações financeiras internacionais, bancos e bolsas de valores tiraria toda a confiança do povo no sistema econômico, levando rapidamente à desestabilização e ao caos mundial.
E como podemos nos prevenir contra isso? Não há respostas fáceis. Se alguém disser que uma empresa ou cidadão estarão seguros atrás de firewalls preparadas por gente que nunca se meteu nesse submundo do ciberterrorismo, pode estar certo que é lorota.
O ideal seria que conseguíssemos trazer para o nosso lado um bando desses mestres do mal, pagando-os regiamente para que defendessem nossos sistemas básicos - noutras palavras, tudo que lidasse com comida, remédios, comunicações, energia, ar, água e transportes. Mas até que se consiga isso, infelizmente, ainda veremos sérias catástrofes acontecendo. Em nossa ânsia por velocidade, contando com a ajuda da alta tecnologia, poderemos estar cavando nossa própria cova.
A coluna Mapa de Navegação não foi publicada hoje excepcionalmente.





